março 31, 2009
fevereiro 20, 2009
fevereiro 18, 2009
fevereiro 17, 2009
janeiro 19, 2009
BAILINHO DA MADEIRA - MAX
Composição: Maximiano de Sousa (Max) Mário Teixeira e Tony Amaral
Deixa passar esta linda brincadeira
Qu'a gente vamos bailar
Á gentinha da madeira
Instrumental
Eu venho de lá tão longe
Eu venho de lá tão longe
Venho sempre á beira mar
Venho sempre á beira mar
Instrumental
Trago aqui estas couvinhas.
Trago aqui estas couvinhas.
Pr'á manhã o seu jantar.
Pr'á manhã o seu jantar.
Deixa passar esta linda brincadeira
Qu'a gente vamos bailar
Pr'á gentinha da madeira.
Deixa passar esta linda brincadeira
Qu'a gente vamos bailar
Á gentinha da madeira.
Instrumental
E a madeira é um jardim.
E a madeira é um jardim.
No mundo não há igual.
No mundo não há igual.
Instrumental
Seu encanto não tem fim.
Seu encanto não tem fim.
A filha de portugal.
A filha de portugal.
Deixa passar esta linda brincadeira
Qu'a gente vamos bailar
Pr'á gentinha da madeira.
Deixa passar esta linda brincadeira
Qu'a gente vamos bailar
Á gentinha da madeira.
Instrumental
janeiro 11, 2009
janeiro 08, 2009
janeiro 07, 2009
Folclore e ritmos no Curral das Freiras
Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira
Megapresépio no Curral das Freiras em exibição até ao fim-de-semana
O megapresépio que a Associação Refúgio da Freira tem patente ao público no Centro Cívico do Curral das Freiras continua a ser, nesta quadra da Festa, mais um dos grandes atractivos da localidade interior da ilha.
Além da beleza natural ímpar do 'Curral', a 'grande' obra de arte alusiva à época das festas natalícias e a animação musical a ela associada promovida aos domingos complementam a oferta aos muitos visitantes, locais e forasteiros que 'descem' até ao centro da freguesia câmara-lobense.
Apesar de ser já uma 'tradição' a construção de um presépio de grandes dimensões, desde o passado dia 21 que muitos curiosos são atraídos também pelo megapresépio ali erguido, este ano com a ajuda 'extra' da animação aos fins-de-semana.
Na tarde do último domingo, o primeiro do novo ano, houve actuação do Grupo de Danças e Cantares da Casa de Povo de Água de Pena, bem como do Grupo Folclórico e Etnográfico da Boa Nova.
No próximo domingo, dia 11, a animação estará a cargo do Grupo de Folclore de Santa Rita, Grupo de Folclore Monte Verde e Grupo de Música Tradicional Seis po'meia Dúzia, com actuações às 15, 16 e 18 horas, respectivamente.
Ainda no próximo domingo, será efectuado o sorteio de rifas - 17 horas - promovido pela Associação Refúgio da Freira, o qual está associado a uma iniciativa de solidariedade, uma vez que parte do valor arrecadado reverterá para a associação Acreditar.
Quem pretender visitar o presépio poderá fazê-lo até ao próximo fim-de-semana.
Até sexta-feira, entre as 9 e as 20 horas, no sábado e domingo está aberto ao público das 15 às 20 horas.
Orlando Drumond
janeiro 05, 2009
FOGO DE ARTIFÍCIO FIM ANO FUNCHAL

dezembro 31, 2008
dezembro 17, 2008
dezembro 12, 2008
dezembro 05, 2008
novembro 22, 2008
MAX
O inesquecível Max em Bate o Pé, imitação de instrumentos e O Magala (0 31) num espectáculo transmitido pela RTP.
novembro 03, 2008
outubro 30, 2008
outubro 16, 2008
outubro 06, 2008
outubro 02, 2008
Festival de Passeios a Pé entre 13 e 17 de Janeiro
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira

LEVADA DAS 25 FONTES foto JCF
Já está agendada mais uma edição do Festival de Passeios a Pé da Madeira, a segunda, que irá decorrer nas serras da Madeira e do Porto Santo entre os dias 13 e 17 de Janeiro de 2009.
O festival é uma iniciativa do Reino Unido, concretamente do fotógrafo e escritor “freelance” de “outdoors”, Terry Marsh, que, entre 2004 e 2006, foi responsável pela organização dos festivais de passeios a pé na ilha de Man que obtiveram muito sucesso. Neste momento, a sua atenção está inclinada para a Madeira.
E, depois da edição deste ano ter tido o apoio logístico da agência de viagens Windsor, em 2009 será da Euromar.
O Festival de Passeios a Pé é promovido pela Direcção Regional do Turismo da Madeira que está activamente envolvida na sua organização. Por isso mesmo, considera estar confiante que o festival encorajará os caminhantes a visitarem as duas ilhas da Região Autónoma da Madeira para ficarem com a experiência pessoal de saborearem as belezas inigualáveis deste lugar notável.
Neste âmbito, os passeios escolhidos são uma selecção dos muitos que estão disponíveis e pretendem providenciar ao caminhante um gosto pelo que as ilhas têm para oferecer.
Todas as veredas são criadas e promovidas pela Direcção Regional de Florestas e todas foram recentemente vistoriadas e verificadas.
As ilhas da Madeira e Porto Santo oferecem alguns dos mais aprazíveis passeios a pé que se podem imaginar. Não há níveis de dificuldade para os passeios na Madeira e no Porto Santo os níveis de dificuldade são demasiado subjectivos para serem úteis. Contudo, a organização aconselha que todos os participantes avaliem a sua própria capacidade para realizarem um determinado passeio.
Vários percursos
Quanto aos percursos temos, na terça-feira, dia 13, o “Caminho Real do Paul do Mar”, a “Levada dos Cedros”, o “Caminho do Pináculo e Folhadal” e a “Levada das 25 Fontes”.
Para quarta-feira, dia 14 os percursos são os seguintes: “Vereda do Calhau” (Porto Santo), “Vereda dos Balcões”, “Levada do Rei” e “Vereda da Ilha”.
Na quinta-feira, dia 15, são os seguintes: “Vereda do Pico Castelo” (Porto Santo), “Levada do Caldeirão Verde”, “Vereda do Pico Branco e Terra Chã” (Porto Santo) e “Caminho Real da Encumeada”.
Para a sexta-feira, dia 16, o festival tem programado os seguintes percursos: “Vereda do Pico Ruivo”, “Levada Fajã do Rodrigues”, “Vereda do Areeiro” e “Vereda da Ponta de São Lourenço.
Finalmente no sábado, dia 17 de Janeiro serão os seguintes: “Vereda da Ribeira da Janela”, “Levada do Moinho”, “Levada do Furado” e “Vereda da Encumeada”.
Paulo Alexandre Camacho
setembro 26, 2008
setembro 24, 2008
setembro 21, 2008
setembro 18, 2008
setembro 17, 2008
setembro 16, 2008
setembro 15, 2008
ESTÁTUA "O HOMEM DO MAR" - PAÚL DO MAR

setembro 12, 2008
setembro 11, 2008
setembro 10, 2008
setembro 09, 2008
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setembro 07, 2008
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setembro 04, 2008
setembro 03, 2008
agosto 29, 2008
agosto 28, 2008
agosto 27, 2008
agosto 21, 2008
Armas vai ligar Madeira a Portimão todo o ano
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
A empresa espanhola Naviera Armas confirmou ontem, em comunicado, que irá assegurar durante todo o ano a linha marítima entre Canárias - Madeira - Portimão, isto face ao “êxito e aceitação” do serviço. O armador anunciou ainda a intenção de no próximo ano colocar um novo “ferry” nesta linha e de fazer duas viagens semanais a partir de Maio.

A linha marítima que liga Canárias - Madeira - Portimão, que está a ser efectuada pela empresa espanhola Naviera Armas, vai continuar depois do Verão, anunciou ontem a empresa em comunicado
A Naviera Armas refere que esta decisão surge na sequência do “grande êxito e aceitação que esta linha marítima está tendo", desde que iniciou este serviço no passado dia 13 de Junho, tendo já movimentodo 14 mil passageiros.
A empresa diz estar a avaliar a incorporação de um novo “ferry”, referindo-se a um dos dois navios que estão actualmente em construção, para a ligação entre Canárias, Funchal e Portimão.
Por outro lado, a Naviera Armas refre ser "muito provável que, a partir do mês de Maio do próximo ano, se duplique a frequência com duas viagens semanais" entre os três portos.
A empresa espanhola recorda que começou a ligação Canárias - Madeira há três anos, tendo movimentado então 4 mil passageiros. No ano seguinte, transportou já 10 mil e neste Verão, salienta a empresa, “com a ligação à Península, através da Madeira, as previsões foram superadas tendo sido já transportados 14 mil passageiros”.
A Naviera Armas realça que houve uma grande aceitação em Canárias, mas adinata que o “êxito” da ligação se deveu sobretudo à procura verificada na Madeira, cujos cidadãos, após várias décadas, puderam novamente ligar-se ao Continente por via marítima, com a possibilidade acrescida de poderem levar as suas viaturas.
A transportadora diz ainda que a linha já cruzou fronteiras, porque está verificar-se um aumento no número de passageiros e de turistas do Continente e do Norte da Europa que viajam para a Madeira e Canárias desde o Porto de Portimão no 'ferry' "Volcán de Tijarafe".
A empresa já comunicou a decisão de manter a linha após o Verão ao Governo da República português e ao Governo Regional, com a secretária Regional do Turismo e Transportes da Madeira, Conceição Estudante, a "manifestar a sua grande satisfação".
Neste sentido, a Naviera Armas espera que "o Governo Regional da Madeira dê todo o seu apoio administrativo para a continuidade da linha, sendo que no mesmo sentido se manifestaram os Conselheiros das Obras Públicas, Transportes e Turismo do Governo de Canárias, Juan Rámon Hernandez e Rita Martin, respectivamente.
JM
agosto 20, 2008
ARQUIVO REGIONAL DA MADEIRA
Um simpático leitor veio cá indicar onde procurar alguns documentos que por vezes são solicitados por pessoas com familiares madeirenses:
Boa sorte com as buscas!
agosto 19, 2008
agosto 18, 2008
agosto 17, 2008
agosto 15, 2008
agosto 14, 2008
agosto 13, 2008
agosto 12, 2008
agosto 09, 2008
agosto 07, 2008
agosto 05, 2008
agosto 03, 2008
FUNCHAL VISTO DO PESTANA CARLTON HOTEL

agosto 02, 2008
agosto 01, 2008
julho 31, 2008
PROMENADE DA ORLA MARÍTIMA LIDO-CLUBE NAVAL

julho 30, 2008
VISTA PARA CÂMARA DE LOBOS/CABO GIRÃO

julho 29, 2008
julho 28, 2008
julho 27, 2008
julho 23, 2008
A ruralidade madeirense vista por Max Römer
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira

O Liceu Jaime Moniz integra-se num conjunto de obras que, a par do Palácio da Justiça, Banco de Portugal e Mercado dos Lavradores, entre outros, se enquadra num conjunto de obras arquitectónicas ligadas aos que se convencionou chamar "Estado Novo", o regime que, durante quarenta e oito anos vigorou em Portugal, até ao 25 de Abril de 1974.
Esse facto, porém, não invalida o valor arquitectónico do "Liceu" pois a sua traça, para além de caracterizar uma época histórica, impõe-se pela amplitude dos corredores, salas bem iluminadas e arejadas, os pátios e os jardins.
Mas, se isso não bastasse para transformar o velho Liceu de 170 anos numa importante página da História da Madeira, as histórias que tantos quantos ali viveram os seus tempos de estudante, as histórias de vida que ali se escreveram, os homens e mulheres que ali cresceram para a vida, seria mais do que suficiente para merecer tal honra.
Levar Max Römer até aos madeirenses
Nessa página está inscrito, também, um nome que se ligou à arte e ao património cultural da Madeira: Maz Römer, pintor de origem alemã que viveu na Madeira durante 38 anos, de 1922 a 1960 e que, à Madeira, legou uma obra que passa pela aguarela, pelo guache, pelo carvão que retrata a paisagem, os costumes, os trajos e a paisagem da ilha de forma quase incomparável.
Foi, certamente a grandiosidade do Liceu Jaime Moniz que chamou a atenção de Max Römer e o inspirou de tal forma que uma parte significativa da sua obra se encontra ali, dispersa no átrio de entrada, na sala do Conselho Directivo e em especial na Cantina.
São frescos de extraordinária beleza, datados de 1957, que integram um grande mural que cobre toda a parte superior das paredes da Cantina, com 13,7mx9,80mx1,00. A sua temática é de inspiração regional retratando a sua ruralidade. Ali estão presentes a Florista, menina que vigia a cana-de-açúcar saboreando um pedaço,, o Pesquito, o rapaz dos bois, os camponeses na sua faina, o vilão, os frutos, os legumes…
Uma "riqueza" que urge preservar e que merece, sem dúvida alguma, a sua divulgação. É urgente, como aliás já está prometido, transformar a cantina do velhinho Jaime Moniz num local onde a obra de Max Römer seja valorizada e mostrada aos madeirenses. Como merece.
Octaviano Correia
julho 18, 2008
julho 17, 2008
julho 14, 2008
julho 06, 2008
Sobre o Museu de Arte Sacra do Funchal
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
O Museu de Arte Sacra do Funchal foi fundado em 1955 e instalado no antigo Paço Episcopal, na rua do Bispo. As suas colecções são constituídas por peças de igrejas e capelas da diocese, muitas delas doações feitas por particulares. A sua construção data do início do Séc. XVII e foi remodelada no Séc. XVIII. Da parte primitiva só resta o claustro virado a norte, que sofreu algumas alterações. O terramoto de 1748, que tanto afectou a ilha, danificou a primitiva construção, daí que tivesse sido quase totalmente demolida. Este edifício foi paço episcopal até 1910 e em 1913 foi ali instalado o Liceu do Funchal, permanência que duraria até 1942. Em 1955 foi inaugurado como Museu Diocesano de Arte Sacra.

A respeito das suas colecções destaca-se, entre as sua colecções de pintura, escultura, ourivesaria e paramentos, o núcleo de pintura flamenga, que está intimamente associado à época de “ouro” da ilha, marcada pela produção de cana sacarina, no Séc. VXI.
Segundo os historiadores, os grandes produtores de açúcar da Madeira, trocavam o açúcar, na altura considerado como iguaria de luxo, pelo que de melhor a Flandres tinha para oferecer: as suas obras de arte.
No campo pictórico este museu apresenta peças de grande qualidade, onde predomina a pintura flamenga dos Sécs. XV e XVI. Algumas das obras são inéditas, como a Descida da Cruz e a Adoração dos Reis Magos.
Os painéis flamengos impressionam não só pelo seu valor artístico mas também pelas suas dimensões. Fazem parte da colecção de ourivesaria sacra peças dos sécs. XVI, XVII e XVIII, como a Grande Cruz processional em prata dourada, atribuída a Gil Vicente e oferecida por D. Manuel à Sé Catedral do Funchal, a Bandeja de prata dourada com punção de Antuérpia e algumas peças dos sécs. XIX e XX. O museu apresenta também alguns exemplares de paramentos litúrgicos de igrejas da dioceses do Funchal que se presume terem sido bordados nos vários conventos existentes na ilha nos sécs. XVII e XVIII.
Relativamente à escultura, o seu núcleo contém peças representativas dos sécs. XVI, XVII e XVIII, sendo que o núcleo referente ao séc. XVI apresenta bons exemplares de peças flamengas, como a Virgem e o Menino ou Nossa Senhora da Conceição.
Do exterior do museu, destaque para a torre vigia, no último piso, que apresenta excelentes azulejos figurativos, característicos da época, onde estão representados a Fé, a Esperança e a Caridade.
(Fonte: www.culturede.com)
JM
junho 30, 2008
ILHAS DESERTAS
Foto de Jorge Costa Reis
junho 26, 2008
Beber - Influência da Madeira
Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira
Aromas de madeira nos vinhos são muito apreciados, contribuindo para a sua complexidade, sabendo-se que os cascos novos chegam a transmitir aos vinhos mais de 200 mg de litro de tanino.

As madeiras mais usadas na arte de tanoaria são a de carvalho, Francês (Allier e Limousin), e Americano. O carvalho francês não pode ser serrado, pelo que de cada árvore apenas se aproveita 15% de madeira para tanoaria, enquanto que no americano cerca de 50% da madeira é aproveitada e pode ser serrada. Claro que o custo das barricas com carvalho francês é cerca do dobro do americano.
Os aromas da madeira não devem contudo, sobrepor-se aos do vinho, mas sim aparecerem de uma forma subtil a enriquecerem na sua componente gustativa.
O papel da madeira ou dos cascos no vinho, para além de transmitirem compostos aromáticos e taninos, desempenham também um papel muito importante no chamado 'arredondamento' dos mesmos. Nos brancos, como o Chardonnay, dão aromas amanteigados.
Sabe-se que a madeira absorve parte do vinho e incha, por outro lado seca pela superfície em contacto com o ar. Assim em cascos mais pequenos as 'quebras anuais' ou evaporações em volume são maiores, atingindo cerca de 4 a 6% nas boas adegas. Claro que este factor varia com o tipo de madeira e sua espessura para além do tamanho do casco. Quanto mais pequeno for, maior é a evaporação.
A utilização de carvalho francês é a mais apreciada e a também a mais cara, obtendo-se vinhos de maior complexidade e estrutura, face à utilização de um carvalho americano onde a presença da aromas de baunilha e coco são facilmente detectáveis.
Em prova, as opiniões dos consumidores inclinam-se para os vinhos novos estagiados em carvalho americano, para vinhos de consumo imediato, estilo Novo Mundo. Os vinhos estagiados em carvalho francês, apesar de poderem ser consumidos novos, têm performances para maior guarda.
É uma das etapas mais caras no processamento do vinho, já que uma barrica de 225 litros de carvalho Francês Allier poderá custar cerca de 850€, o que significa um incremento no custo de produção do vinho em cerca de 3,7€ por litro, só para o estágio durante 12 meses e que servirá apenas uma produção. Ou seja, só grandes vinhos poderão dar-se a este 'must', podendo este esclarecimento desmistificar alguns vinhos cujo custo é inferior ao seu próprio envelhecimento. Pelo menos na informação que indicam no contra rótulo.
Francisco Albuquerque
junho 23, 2008
PORTO DO FUNCHAL VISTO DO SAVOY
Uma foto de Jorge Costa Reis, autor dos blogs . Blog e A Chaminé Algarvia
junho 05, 2008
Moinho a água é atracção em São Jorge
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
Tem mais de 300 anos e ainda funciona
Em São Jorge, mais concretamente no sítio da Achadinha, há uma atracção turística que tem registado a visita de muitos forasteiros. Falamos do moinho de água que tem para mais de 300 anos.
Este moinho foi recuperado, no ano 2000, com o apoio do Governo Regional. Desde então, «visitam-nos turistas de toda a parte do Mundo», frisa Ana Rosa, uma das herdeiras daquele moinho e uma das pessoas que continua, diariamente, a deslocar-se até ao espaço em questão para moer o trigo ou, simplesmente, posar para a fotografia que os turistas fazem questão de tirar por forma a terem um registo para a posteridade.
«Eles fazem perguntas sobre como é que o moinho trabalha, tiram fotos, visitam todos os compartimentos da casa. Temos mobílias antigas e eles gostam de ver tudo», conta ainda esta senhora em declarações prestadas à "Olhar". O moinho está aberto todos os dias da semana, inclusive «aos domingos».
Mas não se pense que são só os turistas que usufruem deste espaço. Os locais também procuram os serviços do moinho de água para moer o seu trigo. «Eles deixam aqui a quantidade do trigo, deixam o nome do sítio e o número de telefone. Quando está pronto, a gente liga e eles vêm buscar o seu produto», refere ainda, para logo acrescentar que o serviço é pago por maquia. De dez quilos a senhora Ana Rosa tira «um alqueire».
Ana Rosa diz que sempre trabalhou neste moinho desde que se lembra da sua existência. «Isto veio do meu pai e trabalho aqui desde criança», afirma. Esta senhora é de opinião que a recuperação do moinho foi um bom investimento tendo em conta a quantidade de visitantes que por ali passam. Ousa, inclusive, em nos adiantar umas frases que demonstram o quanto é importante aquele espaço para a freguesia de São Jorge:
"Este moinho de água
construido no passado
pelas pessoas antigas
tem muito significado
venham ver oh meus senhores
o moinho da Achadinha
ele é por nós estimado"
Carla Ribeiro
maio 08, 2008
"Hum valle fermoso cheyo de funcho até o mar"
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
«… Funchal, a que o capitam deo este nome, por se fundar em hum valle fermoso de singular arvoredo, cheyo de funcho até o mar». Os descobridores ou primitivos povoadores, ao desembarcarem neste lugar, que depois foi vila e mais tarde cidade, depararam com a planta, que abundantemente vegetava no vale e que, sem demora e sem esforço, se começou a chamar Funchal tendo, o nome, sido dado pelo próprio João Gonçalves Zarco.

"Assim reza o texto do mais antigo e, talvez, até agora, mais completo documento escrito sobre a ilha da Madeira, as "Saudades da Terra" de Gaspar Frutuoso.
De facto afirma-se, comummente, que a umbelifera Foeniculum vulgare, que tem o nome de funcho, terá dado o nome ao Funchal. E não se conhecem razões ou factos que contradigam essa afirmativa.
Mas, e estamos a reportar-nos ao "Elucidário Madeirense", uma pergunta ocorre fazer, não sendo a primeira vez que ela é formulada: «existindo, por certo, neste vale, árvores e plantas de grande porte, como iriam os descobridores dar-lhe de preferência o nome de um vegetal, que nem chega a ser um arbusto? É possível que no meio do maciço de árvores que povoavam o vale, houvesse uma clareira em que abundasse o funcho e que deste modo se destacasse da vegetação circunvizinha. Também se afirma que, nas mais próximas imediações do local do desembarque, depararam logo os descobridores com o funcho em abundância, e daí o fácil baptismo de Funchal dado ao lugar.
Certo, certo é que o nome ficou e hoje, na cidade capital, muitos são os locais, ruas e até escadinhas, conhecidos pelo nome da singela planta que deu nome a uma das mais conhecidas cidades do mundo, conhecimento levado pelos milhares de turistas que a visitam, vindos das sete partidas do globo.
E, a confirmar esta realidade, aqui se deixam, certamente nem todos, os nomes desses locais:
FUNCHAL; Pico do Funcho; Beco do Funcho; Travessa do Pico do Funcho; Travessa Nova do Pico do Funcho; Escadinhas do Pico do Funcho; Caminho do Pico do Funcho; Azinhaga do Pico do Funcho; Escadinhas do Pico do Funcho; Vereda do Pico do Funcho; Levada do Pico do Funcho; 2ª Vereda do Pico do Funcho; Rua Nova do Pico do Funcho; Travessa do Pico do Funcho.
A Carta Régia de D. Manuel
O natural e sempre crescente desenvolvimento do Funchal em antigos tempos, tornando-o um importante empório comercial e um centro de grande actividade industrial e mercantil, plenamente justifica a medida tomada pelo rei D. Manuel na sua carta Regia de 21 de Agosto de 1508, elevando a vila do Funchal à categoria de cidade. Havia 50 anos que de simples povoação se fizera vila, e decorrido apenas meio século passa a ter os foros de cidade, a primeira que se criou nos nossos domínios ultramarinos:
«Dom Manuel por graça de deos Rey de portugall & dos algarues daquem & daallem mar em africa Sennor de guinee & da comquista nauegaçom & comercio de ethioopia arabia persia & da yíndia. A quantos esta nosa carta birem fazemos sabeer que comsiramdo Nos como louuores a noso Sennor ha billa do Funchall na nosa ylha da madeyra tem creçido em mui grãde pouoraçom & como biuem nella muytos fidalguos caualleyros & pessoas homrradas e de gramdes fazendas pollas quaees e pollo gramde trauto da dita ylha esperamos com ajuda de noso Sennor que a dita billa muyto mays se emnobreça & acreçemte (…)»
O funcho na Macaronésia
O funcho, nativo da bacia do Mediterrâneo, com variedades na Macaronésia e no Médio Oriente, sendo, a planta originária da Macaronésia designada por F. vulgare azoricum (Mill.) Thell., caracterizada por caules mais suculentos e doces e menor concentração de óleos essenciais, o que os torna facilmente comestíveis em fresco, sendo comercializada com a designação varietal de Florence. Esta forma da planta é espontânea nos Açores e na Madeira.
Na Grécia Antiga o Funcho era designado por "marathon", estando na origem do nome Maratona (que afinal, em português seria Funchal), o local da mítica batalha de Maratona travada em 490 a.C. entre gregos e persas, e a mitologia grega diz que Prometeu usou um talo de funcho para roubar o fogo dos deuses.
É frequentemente utilizado em pequenas quantidades na cozinha mediterrânica como planta aromatizante, mas, pelas suas características aromáticas e pelos usos medicinais do anetol, o funcho tem sido utilizado, desde a antiguidade, sendo já cultivado no Antigo Egipto.
Octaviano Correia
maio 01, 2008
abril 21, 2008
abril 08, 2008
abril 04, 2008
março 30, 2008
Redescobrir a beleza da Lagoa do Caramujo
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
A saída para mais um passeio do Club Pés Livres aconteceu, como habitualmente, por volta das 8h, a partir do Palácio da Justiça, no Funchal.
Dali o grupo partiu em direcção à Encumeada até chegar ao Lombo do Mouro. Ali começou a viagem a pé, de cerca de 6h30. Pela frente esperava-os 14 quilómetros e um grau de dificuldade de nível três. Mas no final, os 64 participantes gostaram.
Odílio Fernandes, do Club Pés Livres sublinha que este “é um percurso acessível a todas as pessoas mas para o qual é preciso haver alguma preparação, nas descidas, é preciso ter algum cuidado para não escorregar, é preciso ver bem onde colocar os pés”.
Preparados física e mentalmente, foram pela Vereda do Mouro até chegarem à Bica da Cana e dali até à Casa do Caramujo. Segundo Odílio Fernandes, esta casa está abandonada e em ruínas, uma situação que o próprio lamenta. “É pena que a casa esteja assim, eu acho que tinha todo o interesse que a aquela casa fosse recuperada porque é património de todos nós, madeirenses”.
No entender deste caminheiro, esta deve ter sido uma casa de uma pessoa mais abastada, uma espécie de residência de fim-de-semana. Esta casa fica situada acima da Lagoa do Caramujo, na zona da Bica da Cana. Houve oportunidade para o grupo disfrutar da paisagem da Lagoa do Caramujo.
Odílio Fernandes enaltece a beleza da lagoa natural. Só está mais cheia no Inverno porque no Verão, a água é bem pouca ou nenhuma. “Por acaso tivemos sorte desta vez, a lagoa estava completamente cheia, talvez a 100%, lembro-me de há dois anos termos passado lá e de não ter 25% da água que tinha desta vez”.
Em seguida, o grupo desceu e teve que apanhar a levada velha, que foi toda recuperada. Este é um dos trilhos que estava inserido no programa de recuperação das veredas e levadas, levado a cabo pelo Governo Regional.
Neste como noutros percursos, e para que tudo decorra da melhor forma, os “Pés Livres” vai, sempre, fazer o reconhecimento do trilho, uma semana antes. Tendo em conta esta situação, o grupo resolveu alterar o final da caminhada, que era para terminar nas Ginjas mas, neste caso, terminou no Rosário.
O responsável explica que terminar nas Ginjas era um pouco maçador porque esse trilho, de 1.30h seria feito por cima de terra e pedras, por isso, não seria nada agradável.
Durante o reconhecimento, “descobriram” esta levada, só que não sabiam que o caminho tinha sido recuperado, o que foi uma agradável surpresa. “Ainda bem que estava recuperado porque a descida é bastante inclinada, estava tudo bem arranjadinho, com degraus em madeira, que não fere a vista, não havia cimento, tudo o que está ali é natural, está extremamente bem feito”, apontou.
O passeio acabou, por isso, no Rosário, em São Vicente e todas as pessoas gostaram do passeio.
Para dar conta desta e de outras actividades, o Club faz uso do seu blog na internet (http://www.clubpeslivres.blogspot.com), onde não faltam os passeios realizados, quinzenalmente. Posteriormente, as fotografias da caminhada são colocadas no site para consulta, juntamente, com alguns comentários. Os visitantes acabam, também, por deixar os seus comentários.
“O nosso blog tem tido bastante sucesso, as pessoas têm aderido em massa e vão lá deixar as suas opiniões”, apontou.
Élia Freitas
março 24, 2008
março 16, 2008
março 03, 2008
SIMON BOLIVAR

Estátua no Jardim Municipal
fevereiro 14, 2008
“Pés Livres” inicia 2008 galgando três freguesias
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira

Nada melhor que começar o ano em festa. Foi assim que o Club Pés Livres — Associação de Montanhismo da Madeira deu início ao seu programa de caminhadas a pé pelas levadas e veredas da nossa ilha.
Foi com um leve cheirinho, ainda, a Natal que tudo começou. Estava próximo o Dia de Reis, um bom pretexto para que no final houvesse festa e música.
O passeio começou nas Babosas (Funchal) onde o grupo de caminheiros, composto por mais de 50 pessoas arrancou para mais uma caminhada a pé, “uma zona bastante bonita e agradável”, começou por explicar Odílio Fernandes, o fotógrafo de serviço dos “Pés Livres”.
Dali seguiram sempre pela Levada dos Tornos até chegarem à Assomada, no Caniço. O passeio durou, sensivelmente, seis horas e é considerado com um grau de dificuldade de nível três devido à sua extensão de 14 quilómetros.
A partir da Levada dos Tornos, situada numa cota acima dos 400 metros, é possível ter uma visão panorâmica sobre a cidade do Funchal. À medida que foram avançando, os caminheiros puderam alcançar toda a zona do Caniço, passando pelas Eiras.
Depois foram desembocar numa zona chamada "Pereirinha", que fica próxima à vila da Camacha. Nessa zona saíram da Levada dos Tornos, subiram um pouco a chamada Recta da Camacha e, em seguida, apanharam a Levada do Moinho até chegarem à Assomada.
Odílio Fernandes sublinha que a caminhada na levada é mais rápida porque o piso é plano. Já o restante trilho, devido às subidas e descidas que impõe mais dificuldades.
“Um passeio na levada é diferente dos trilhos em que andamos a saltar e a descer pedras, por caminhos irregulares”, apontou.
Por isso, e “em média, na levada, e a um bom ritmo, costumamos fazer entre três a três quilómetros e meio, por hora, a andar bem. No ritmo a que nós fomos, fizemos uma média de três quilómetros, por hora”, explicou.
Durante esta caminhada de seis horas, o grupo acabou por passar por três freguesias. Das Babosas à Camacha foram cerca de quatro horas. Da Recta da Camacha até à parte de baixo da Assomada (Caniço) levaram as restantes duas horas.
Odílio Fernandes garante que o percurso trilhado é agradável, pelo que, ao qual, normalmente aderem muitas pessoas. Vão sempre mais de 50.
No final desta longa caminhada, houve lugar a um convívio na casa de um dos sócios do Club, o senhor Ângelo. No local, o grupo foi surpreendido pelos Reis Magos que lhes entoaram os devidos cânticos tendo em conta a proximidade daquela festa.
Esta é já uma prática frequente, por ocasião do Dia de Reis. Na casa do senhor Ângelo, todos os anos há sempre um “presépio extremamente bem feito e bonito, quase todo ele natural”, referiu. O presépio é quase todo ele escavado na rocha. Para tal, o responsável aproveita uma zona circundante à casa que foi deixada a descoberto, aquando as escavações para a construção da moradia.
A esposa do senhor Ângelo, também, esmera-se para receber bem os caminhantes. O seu humanismo faz com que seja uma boa anfitriã. “É uma pessoa que trabalha com crianças portadoras de deficiência e, é por isso, bastante acessível, dócil e prestável e está sempre de portas e coração abertos para nos receber”, apontou Odílio Fernandes.
Foi assim desta forma alegre e calorosa que o grupo arrancou para mais um ano de caminhadas, na esperança de que o seu exemplo mova outros mais, para que cultivem o gosto pela natureza, para que conheçam melhor o que é nosso e para que andem mais a pé…
Élia Freitas
fevereiro 12, 2008
fevereiro 09, 2008
fevereiro 01, 2008
Quem vê blogues não vê caras
Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira
A Madeira tem uma blogosfera em crescimento, muito dominada por assuntos ligados à política e aos partidos. Aqui ficam as caras e opiniões de alguns dos principais bloguistas madeirenses

"Existe uma demissão da participação cívica das pessoas não ligadas aos partidos políticos". A percepção de um dos conspiradores 'às 7', Gonçalo Santos, aplica-se tanto ao mundo real como ao virtual. Essa é uma das razões pelas quais o blogue 'conspiracaoas7.blogspot.com' pretende ser um espaço de participação cívica, tanto para os seus autores como para os visitantes.
A designação Conspiração não tem um significado especial, nem pretende dar pistas sobre o tipo de conteúdo do blogue. "É um nome com alguma piada e que chama a atenção" explica Gonçalo Santos. 'Às 7' porque um amigo terá afirmado: "Todas as conspirações são às sete". Assim é. De resto, o bloguista é completamente contra algo precioso à conspiração, o segredo, o anonimato. Gonçalo Santos classifica de "execrável" os blogues e os comentários que, a coberto do anonimato, produzem julgamentos na praça pública, sem grande hipótese dos visados se defenderem.
A opinião é de alguém que diz não ter razão de queixa do mundo virtual. Pois, como lembra, as maiores discordâncias acontecem com os companheiros de bolg.
O 'conspiraçãoas7' regista um número de visitantes diários um pouco acima dos 100, com duas excepções. Foi quando o jornal Público o referenciou. Em cada um desses dias houve cerca 700 visitas. BERDADEIRAMENTE INTERESSANTE "Uma 'mercearia blogosférica' do Norte da Madeira para todo o Mundo, onde tudo e todos têm lugar". É como o autor de um dos blogues de maior sucesso na Madeira define o seu espaço virtual.
O 'berdades.blogspot.com' nasceu em Novembro de 2005 um pouco por curiosidade. Marcelino Teles explica que viu, num outro blogue, um link que dizia construa o seu blogue'. Abriu e foi por ali adiante. 'Berdades' foi a palavra escrita sem a percepção exacta de que esse seria o nome do blogue. Mais tarde acrescentou 'da boca p'ra fora'. Assim ficou completo o nome de um programa que na altura fazia na Rádio Santana, no qual era protagonista o 'Compadre Jode', que hoje se transferiu para a RDP.
Tem uma média diária de acessos de 270, uma das mais elevadas conhecidas na Região. Tanta notoriedade que já despertou o interesse de algumas entidades para publicitarem produtos e serviços. Só uma o conseguiu, a 'Dr.a Solange' e é por permuta, não existe dinheiro envolvido.
Antes de começar, Marcelino Teles achava que criar e manter um blogue seria uma tarefa difícil, até porque não sabia inglês. Mas descobriu que afinal é fácil. Além disso tem se empenhado em melhorar o seu espaço, para o que tem contado com a ajuda de outros bloguistas, não só da Madeira. O esforço tem valido a pena. A conhecida revista 'Exame Informática', no número do próximo mês, avalia o Berdades e gosta, apenas faz uma reparo. Algo que, com o humor que o caracteriza, Teles devolve. Sugere também à revista que o chame Teles, Marcelino Teles, e não Sapo, como o fez.
Hoje, Teles, que trabalha no Tribunal Administrativo do Funchal, diz-se viciado no blogue, no qual investe cerca de uma hora e meia por dia, quase sempre à noite.
Como Gonçalo Santos, o bloguista não concorda com blogues anónimos. O máximo que está disposto a aceitar nessa condição é alguns comentários. ULTRACONHECIDO "Não se trata de desistir perante as críticas, porque essas comentam-se, rebatem-se, discutem-se. Trata-se de reagir e de resistir perante crápulas sem escrúpulos, pessoas que andam entre nós, que tomam uns copos com pessoas nossas conhecidas, que todos os dias entram e saem de instituições que depois criticam cumprimentado pessoas que enxovalham." Esta é a explicação que Luís Filipe Malheiro dá para, se não parar, pelo menos abrandar significativamente o seu ultraperiferias.blogspot.com.
Apesar 'desactiviado', o blogue de Malheiro é provavelmente o de maior notoriedade na blogosfera madeirense. O Ainda secretário-geral adjunto do PSD e chefe de gabinete do presidente da Assembleia Legislativa muitas vezes assumiu opiniões no blogue que desagradaram não só adversários, como a companheiros de partido. Ganhou muitas inimizades.
POLITICAMENTE ASSUMIDO É presidente do grupo parlamentar do PS-Madeira e um caloiro na blogosfera da Madeira. Victor Freitas tem um blogue desde o dia 12 deste mês. Criou o replicaecontrareplica.blogspot.com pela necessidade que sentiu de transmitir o que pensa, mas também de receber opiniões. Será uma forma de melhor perceber a Madeira e de ajudar outros a fazerem o mesmo, de um ponto de vista político.
Victor Freitas pretende fugir à ditadura da agenda mediática e, de alguma forma, poder lançar temas e notícias que não estejam na comunicação social.
Investe cerca de uma hora diária nessa actividade e já começa a recolher os frutos. Em apenas duas semanas, conta mais de 2.000 acessos.
Outro blogue maioritariamente dedicado a assuntos políticos é o urbanidades-madeira.blogspot.com de Rui Caetano.
O professor e coordenador autárquico do PS sente-se bastante recompensado com o seu blogue. Costuma actualizá-lo à noite, quando regressa das aulas, ou de manhã, para o que chega a levantar-se mais cedo.
Ainda hesitou em entrar no mundo da blogosfera, mas deixou-se convencer pela mulher e pelos amigos. "Acabei por apanhar o vício", confessa.
As cerca de 120 visitas diárias ao site são apenas um dos incentivos. A oportunidade de comunicar e até conhecer pessoas atraio-o. Outro dado que revela com satisfação é que já 'reencontrou' três amigos, que havia muito tinha perdido o rasto.
Com um cariz também político, mas menos marcado, está o blogue do ex-presidente da JP, Roberto Rodrigues. Desenhador, a trabalhar na Câmara da Ponta do Sol, é, dos bloguistas contactados, o que diz gastar menos tempo diário com o mundo virtual. Cerca de um quarto de hora por dia.
O grande incentivo é a possibilidade de "passar para fora o que pensamos sobre diversas temáticas". Em cortardadireita.blogspot.com, Roberto Rodrigues fala um pouco de tudo, desde a política à filatelia, passando pela arquitectura.
Conta mensalmente com mais de 3.000 visitantes. Um número que considera aliciante.
A seguir deixamos uma relação de blogues madeirenses, da qual se exclui todos os de autor não identificado. Muitos mais haverá, mas ainda existe espaço para muitos outros, principalmente os que visam uma participação cívica, à semelhança do que já vai acontecendo no resto do país.
Blogues madeirenses
http://a-minha-teia.blogspot.com
Natalie Afonseca
http://abrupto.blogspot.com
José Pacheco Pereira
http://amorsemedo.blogspot.com
Anete Marques Joaquim
http://apontamentossemnome.blogspot.com
Carlos Pereira
http://atitudejota.blogspot.com
JSD
http://bastaqsim.blogspot.com
Miguel Luís da Fonseca
http://berdades.blogspot.com
Marcelino Teles
http://bertahelena.blogspot.com
Berta Helena
http://bestofmadeira.blogspot.com
Nuno Morna
http://bisbis.blogspot.com
Amigos do Parque Ecológico
http://bmfunchal.blogs.sapo.pt
Biblioteca Municipal do Funchal
http://buzico.blogs.sapo.pt
Virgílio Nóbrega
http://casadopovodafajadaovelha.blogspot.com
Casa do Povo da Fajã da Ovelha
http://cp-saoroquedofaial..blogspot.com
Casa do Povo São Roque do Faial
http://conspiracaoas7.blogspot.com
Sancho Gomes, Bruno Macedo, Angelino Câmara, Carlos Rodrigues, Teresa Ruel, Magno
http://cortardadireita.blogspot.com
Roberto Rodrigues
http://escorregadacurvadegauss.blogspot.com
Vera Barros
http://esquerdarevolucionaria.blogspot.com
Roberto Almada
http://estrangeiros.blogspot.com
Vitor Sousa
http://funchal.blogspot.com
Ricardo Figueira
http://furiadocajado.blogspot.com
Figueirede Robles
http://gastronomiamadeira.blogspot.com
Miguel Fernandes
http://horamadeira.blogs.sapo.pt
Alberto Pita
http://ilhadamadeira.weblog.com.pt
João Carvalho Fernandes
http://madeirasurf.blogspot.com
Orlando Pereira
http://o-rabo-do-gato.blogspot.com
Lília Mata
http://olhodefogo.blogspot.com
Nélio Sousa
http://pensamadeira.blogspot.com
António Freitas
http://podeserliberdade.blogspot.com
Agostinho Soares
http://porta34.blogspot.com
Miguel Donato, Lénia Serrão, Luís Filipe Santos
http://radioliberdade.com.sapo.pt
Eduardo Fonseca
http://replicaecontrareplica.blogspot.com
Victor Freitas
http://rodinet.blogspot.com
Rodolfo Gouveia
http://shinobi-myasianmovies.blogspot.com
Jorge Soares
http://sobrevoando.blogspot.com
Luís Vilhena
http://ultraperiferias.blogspot.com
Luís Filipe Malheiro
http://urbanidades-madeira.blogspot.com
Rui Caetano.
Élvio Passos
janeiro 25, 2008
LEVADA DO FURADO (RIBEIRO FRIO - PORTELA)

janeiro 23, 2008
LEVADA DO FURADO (RIBEIRO FRIO - PORTELA)

janeiro 14, 2008
LEVADA DO FURADO
Via: Turismo da Madeira
Esta levada, com início no Ribeiro Frio, é uma das mais antigas levadas públicas, tendo sido adquirida pelo Estado para irrigar os campos agrícolas do Porto da Cruz. Este trilho termina com uma descida até à Portela.
Distância: 11 Km
Tempo: 5h
Altitude máxima: 870 m
Altitude mínima: 520 m
Início: E.R. 303 (Ribeiro Frio)
Fim: E.R. 102 (Portela)
Perigo de vertigens
Existência de túneis, leve lanterna
O piso pode estar escorregadio, leve calçado antiderrapante
Este trilho inicia-se no Ribeiro Frio, concelho de Santana e, ao longo da cota dos 860 m de altitude, acompanhamos a esplanada da Levada da Serra do Faialaté a casa de divisão de águas, descendo até à zona dos Lamaceiros e finalizando no miradouro da Portela, no concelho de Machico.
A Levada do Furado é uma das mais antigas levadas pertencentes ao estado, tendo sido adquirida por contrato celebrado no ano de 1822 entre o primeiro Conde de Carvalhal e a Junta da Real Fazenda, e cujo destino era irrigar os campos agrícolas do Porto da Cruz. Devido à ligação com as levadas do Juncal e da Serra do Faial, que a ela se juntam logo no seu início e continuam para além do seu terminus no sítio dos Lamaceiros, diz-se que esta levada transporta três águas; aquela que sendo recolhida no vale do Ribeiro Frio rega os poios do Porto da Cruz; e as que vindo das serras de Santana são armazenadas na Lagoa do Santo da Serra para posterior distribuição.
Ao longo desta levada podemos contemplar os multivariados tons de verde, proporcionados pela bem conservada mancha de floresta natural da ilha - Floresta Laurissilva constituída predominantemente pelo Loureiro (Laurus azorica), Folhado (Clethra arborea), Til (Ocotea foetens), Vinhático (Persea indica), destacando-se ainda o Isoplexis (Isoplexis sceptrum), o Massaroco (Echium candicans), as Estreleiras (Argyranthemum pinnatifidum), a Orquídea da Serra (Dactylorhiza foliosa).
É possível avistar o Bisbis (Regulus ignicapillus madeirensis), o mais pequeno pássaro que povoa a Madeira, e o destemido Tentilhão (Fringila coelebs). Mais raro será o Pombo Trocaz (Columba trocaz trocaz) espécie endémica da Madeira.
A paisagem é dominada pelo vale do Ribeiro Frio onde são surpreendentes os campos agrícolas do Faial, São Roque do Faial e Porto da Cruz. A espectacular massa rochosa da Penha de Águia que protege a oriente a baía do Faial, e a ocidente a Ponta dos Clérigos.
É no sítio dos Lamaceiros que se separam as águas, e é aqui que acaba a Levada do Furado e onde se inicia a descida para a Portela. Atravessando a zona florestal e o Posto Florestal dos Lamaceiros, o percurso continua pela estrada de terra até se encontrar a Levada da Portela, que ladeia pela esquerda o Lombo das Faias, terminando ao encontrar a Estrada Regional ER102.
janeiro 07, 2008
Festival de Passeios a Pé da Madeira

15 a 19 de Janeiro de 2008
As ilhas da Madeira e Porto Santo oferecem alguns dos mais aprazíveis passeios a pé que se podem imaginar. Então, que melhor lugar do que este para realizar um festival de passeios a pé? Uma celebração de tudo o que de bom existe sobre a mais popular das actividades de lazer.
O Arquipélago da Madeira é conhecido pelo seu clima ameno e tempo geralmente estável. O mês de Janeiro não é excepção. Enquanto os caminhantes estão a enfrentar o rigor do Inverno na Europa Continental, aqui na Madeira gozamos de um período de calma que você achará refrescante. Não podemos afirmar que na Madeira não chove; claro que chove, por isso a nossa paisagem é tão luxuriante e colorida. Mas quando chove, ela (a chuva) é sempre bem-vinda.
Durante todo o ano, o Arquipélago da Madeira - o Jardim Flutuante do Atlântico - está repleto de cor e oferece um ambiente revigorante para qualquer caminhante. Ligado por canais de água estreitos - as levadas - que possibilitam infindáveis passeios a pé, o coração da ilha ergue-se em picos vulcânicos impressionantes, percursos sinuosos do melhor que há, mas contrabalançados por alternativas mais fáceis e percursos costeiros de cortar verdadeiramente a respiração.
O Arquipélago da Madeira é um microcosmo de beleza, um lugar onde a flora e a fauna abundam tanto na superfície da terra como nas profundezas dos mares circundantes. Você não pode deixar de gostar deste lugar. Mas não acredite cegamente em tudo o que dizemos, venha e comprove você mesmo!
Venha e participe na primeira edição do Festival de Passeios a Pé da Madeira!
Calendário dos passeios a pé
janeiro 04, 2008
LEVADA DO FURADO (RIBEIRO FRIO - PORTELA)

janeiro 03, 2008
LEVADA DO FURADO (RIBEIRO FRIO - PORTELA)

dezembro 25, 2007
PAINEL DE AZULEJOS NO EDIFICIO DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E INDUSTRIAL DO FUNCHAL NA AVENIDA ARRIAGA

dezembro 17, 2007
De São Jorge ao Arco pela vereda da Moitadinha
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
O passeio que lhe apresentamos esta semana leva-o a conhecer uma zona do norte da ilha. Trata-se do percurso entre as Cabanas de São Jorge e o Arco de São Jorge, que leva os caminheiros a atravessar um antigo caminho municipal, a chamada Vereda da Moitadinha. Este percurso tem cerca de 12 quilómetros e dura, sensivelmente, cinco horas. É acessível, pese embora as descidas. Nesta caminhada somos guiados por Odilio Fernandes, o fotógrafo de serviço do Club Pés Livres — Associação de Montanhismo da Madeira…

Esta semana, o fotógrafo de serviço do Club Pés Livres guia-nos através das suas fotos e, também, das suas palavras em mais um percurso pedestre realizado por aquela Associação de Montanhismo da Madeira.
Odilio Fernandes dá-nos a conhecer um trilho bem bonito, no norte da ilha, entre as Cabanas de São Jorge e o Arco de São Jorge, por um antigo caminho municipal, a chamada Vereda da Moitadinha.
Este passeio de cerca de 12 quilómetros dura, sensivelmente, cinco horas. É acessível, pese embora as descidas. Quase 80% do passeio é, sempre a descer até chegar à Entrosa, no Arco de São Jorge, explicou o responsável.
A entrada para este trilho passa, praticamente, despercebida. O percurso tem início no miradouro das Cabanas, depois é necessário trilhar um piso de alcatrão de cerca de 500 metros, logo após encontra-se uma descida bastante acentuada. Os degraus são de cimento mas em tempos a escadaria era de xisto.
Esta descida, por ser bastante inclinada, requer algum esforço dos joelhos. No fim da descida, os caminheiros chegaram a uma recta onde se depararam com um grande roseiral que é pertença do presidente da Câmara Municipal do Funchal.
Após andarem um pouco sobre um piso de alcatrão, alcançaram a entrada da vereda da Moitadinha, que fica junto a um pequeno bar. A entrada é discreta.
Esta vereda faz a ligação entre São Jorge e o Arco de São Jorge, mais concretamente, até à Entrosa. Em tempos, esta vereda era um caminho municipal que era usado pelos residentes para se deslocarem mais facilmente entre as duas freguesias. A vereda tem cerca de dois metros de largura, por isso, a passagem é acessível.
Toda ela é coberta pela típica calçada madeirense, de pedra miudinha. A partir dali, ao olharem para baixo, os caminheiros puderam avistar o mar. No local existe um varandim em ferro para proteger de eventuais quedas.
“A descida faz-se bem, é suave”, garante Odilio Fernandes. Contudo, “há que ter um certo cuidado porque, por vezes, escorrega um pouco”.
Depois, o grupo teve que atravessar um caminho que está, praticamente, escavado na rocha. Durante este troço, os caminheiros encontraram muita vegetação, a destacar o maçaroco, uma das plantas típicas madeirenses.
Onde o mar e a serra se encontram
A partir do largo situado à beira-mar puderam avistar as serras e o mar, por baixo, a bater.
Odilio Fernandes reiterou, por isso, que o passeio é acessível a qualquer pessoa, porque não apresenta grandes riscos. “O risco maior é a primeira descida desde as Cabanas até cá abaixo. O resto do trilho é, praticamente, plano”, sublinhou.
No Arco de São Jorge, junto à praia, onde termina o passeio, é possível avistar todo o trilho marcado, até a própria vereda. No local, o miradouro e um restaurante relativamente recente convidam a uma pausa.
Por situar-se à beira-mar, a zona é agradável devido à temperatura que, de uma forma geral, está sempre boa. Em tempos, muitas pessoas iam até aquela zona para pescarem onde o verde da vegetação densa se destaca.
“É uma zona bonita porque tem o mar e a serra. É maravilhoso. É um passeio descontraído, não precisa de grandes cuidados”, reiterou.
Contudo, Odílio Fernandes aconselha a que os caminheiros levem um bordão, sobretudo, para as descidas. “Faz sempre jeito, faço minhas as palavras do Isidro Santos, é uma terceira perna, sobretudo, para a zona dos degraus onde tem início o passeio porque é um pouco violento para os joelhos. São mais de 500 degraus”.
Aquela zona é um pouco fechada e o sol, por vezes, não abunda, de maneira que os degraus ficam com algum lodo. Por isso, é preciso algum cuidado para não escorregar.
Outro dos aspectos a destacar na zona da Entrosa são os vestígios de um antigo engenho, que remete os caminheiros para muitas décadas atrás. “Até parece que nem estamos na Madeira, parece que andamos atrás no tempo. São coisas do século passado, parte da pedra ainda está emparelhada, nomeadamente, as paredes mas o tecto já não existe”, apontou.
Parte da maquinaria antiga, nomeadamente, rodas em ferro resistem à degradação que a proximidade do mar provoca. Odílio Fernandes reitera que aquele espaço poderia ser recuperado porque “seria mais uma atracção turística”.
Quer seja pelas ruínas, quer seja pela vegetação e pelo encontro da serra com o mar, aqui fica mais esta sugestão para quem gosta de caminhar a pé e desbravar os caminhos da nossa ilha…
Élia Freitas
dezembro 13, 2007
dezembro 10, 2007
Um vapor ancorado sobre uma ribeira
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
Será que alguém ainda se lembra do "Vapor". Um vapor bem diferente daqueles que hoje, quase diariamente aportam ao Funchal e que se encontrava "ancorado" sobre a Ribeira de Santa Luzia? Sobre ele oferecemos um delicioso texto assinado, na revista "Das Artes e da História da Madeira", Vol. 4, Nº 23, 1956. P.9-10, por Alberto Artur Semedo.

Entre a Ponte Nova e o Torreão, sobre a Ribeira de Santa Luzia ficava o “vapor”, essa habitação única que era um bairro em miniatura, uma república de lavadeiras presidida por uma velha vesga que sabia a vida de toda a gente, tanta roupa tinha já lavado.
Não que ela tivesse encargos sobre aquela irmandade, mas como uma abelha-mestra, tinham-lhe um certo respeito as outras vespas que na sua presença se abstinham um pouco de pregar brutal ferroada no crédito alheio. Mas, estava-lhes na massa do sangue a divisa da classe: ensaboar a roupa suja.
Uma habitação singular
Quem mandou fazer aquela edificação esguia de tabuado, escorado de margem a margem da ribeira, nunca se nos deu de o saber, mas talvez começasse por servir de ponte, antes de ser armada a colmeia com o seu corredor muito estreito ao centro, tendo dos lados as pequenas células independentes com vista para montante e para a foz.
A cor vermelha com que foi pintado dava-lhe um aspecto de casco de navio e, ou fosse por esta razão ou pelo seu formato esguio, o certo é que todos conheciam a habitação tão singular pelo nome de “vapor”.
Que enormidade de coisas se arrumavam ali a dentro: uma cama velha, um baú ou caixa de pinho, uma cadeira sem costas ou de uma perna a menos, um Santo Antoninho de barro, ervas bentas pelas paredes, estampas encardidas, guitas cruzadas para dependurar roupa, um fogareiro de pedra, um tacho de folha, um cesto barreleiro, uma vassoura de palma, uma celha com água de anil, e mais.
A lavadeira é uma mulher fecunda. Tinham ali uma média de cinco filhos. Os mais pequenos em fralda, muito sujos, sempre a choramingar, os maiorinhos, já de calças, mas rotas, com um cordel traçado a servir de suspensórios, não desmereciam no fraseado das suas progenitoras.
Os encantos da miudagem
Por baixo do “vapor” havia no Verão uma represa feita na ribeira com os calhaus do leito cimentados a barro, leivas e ervas raizentes dos charcos, onde se empoçava a água, que solta da comporta todas as semanas, varria para juzante as imundices acumuladas no leito.
Era este açude o gáudio do rapazio. Naquela água turva do sabão, escoada das lavagens, cheia de bolhas, grossas que rebentavam só de encontro às margens, medravam eirós verde-negros, sacudindo o rabo como serpentes de água.
Faziam pesca deles, os rapazes, com um alfinete torto em forma de anzol, levando como isca uma minhoca que se debatia no suplício, atravessada de meio a meio.
Às vezes havia regatas de celhas, sentados os garotos ao fundo delas com os pés cruzados, servindo-se das mãos bem espalmadas para remar. Se acaso abalroavam as embarcações, metendo água dentro, não havia perigo, porque eram como peixes a nadar, saindo depois dali molhados, quais pintos ao sair da casca, e o menos que os esperava era uma sova de sapato, enquanto a roupa despida enxugava ao sol.
Foi demolido o “Vapor” que ameaçava ruína, desconjuntado e tremente ao marulho das enxurradas de Inverno.
Lavada em lágrimas vem a ribeira, mais lavado de ares ficou talvez o recanto, sem as lavadeiras.
Foi-se o “vapor” como um vapor de água que se perde, e como não figura nas estatísticas do porto, recordação, a vapor assim narrada.”
Octaviano Correia
dezembro 03, 2007
Desfrutar das sensações que o Outono oferece
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
Esta semana a “Olhar” esteve de olhos postos no Santo da Serra para mais uma caminhada a pé. O frio que se fazia sentir não desmotivou nem impediu que trilhassemos a Levada da Serra do Faial que vai dar à Portela. Parte deste troço, está em recuperação. Junto à entrada da levada, na subida junto às Quatro Estradas, pela estrada que vai dar ao Poiso encontra-se, à direita, uma placa que dá conta disso — “IGA — Investimentos e Gestão da Água — Recuperação Parcial da Levada da Serra do Faial”, pela UE através do POPRAM III/FEDER. No final ficou uma certeza, valeu a pena pisar o lameiro, sentir o frio e as folhas húmidas sob os nossos pés. É este desfrutar da natureza que nos faz sentir vivos, experimente…

Para chegarmos ao destino que traçamos para mais este “De mochila às costas”, optámos por subir a via-expresso que vai dar à Camacha e daí fomos pela estrada regional até às “Quatro Estradas”, que fica pouco antes do centro da freguesia do Santo da Serra, no concelho de Santa Cruz. O objectivo foi trilharmos parte da Levada da Serra do Faial.
Nas Quatro Estradas subimos cerca de 400 metros, pela estrada que vai dar ao Poiso. À direita encontrámos o trilho da levada. A placa amarela onde se podia ler “Portela” mostrava que estávamos no caminho certo.
Se fôssemos para a esquerda, do outro lado da estrada, com certeza, passadas umas horas chegaríamos à Camacha. Ficará para outra ocasião. Nesta zona não conseguimos ficar indiferentes a um cheiro pouco agradável devido à existência de um espaço de venda de porcos vivos, conforme se podia ler numa placa disposta nas imediações das respectivas instalações. Mas depressa passa, basta apressarmos o passo e galgarmos uns metros da levada que entramos no fresco da natureza do Santo da Serra.
A primeira parte do troço deixa um pouco a desejar devido à falta de limpeza que, ao que pudemos constatar deve estar para breve. No local um quadro informativo dá conta disso — “IGA — Investimentos e Gestão da Água — Recuperação Parcial da Levada da Serra do Faial”, pela UE através do POPRAM III/FEDER. Contudo, somos compensados mais adiante.
Este trilho é todo ele em terra batida e o facto de ter muitas curvas torna o percurso demorado. Há muita giesta, carqueja, eucaliptos, fetos alguns dos quaiss se encontravam secos devido aos dias de calor que se registaram nas últimas semanas.
Aqui e ali, alguns troncos estavam caídos na terra molhada, que com certeza esteve sedenta de água devido ao Verão fora de época que tivemos recentemente. De maneira que o céu nublado e o vento frio que soprava até sabiam muito bem. Lá continuámos, apesar das ameaças de chuva.
Fomos, também, encontrando pinheiros e castanheiros, os quais desenhavam na paisagem verdadeiros quadros vivos. Alguns parecia que balouçavam ao vento, dada a forma dos seus ramos. Mais pareciam uns braços esticados, prestes a agarrar alguma coisa ou longos cabelos que, de soltos que estavam, esvoaçavam para sul.
Frio da serra acompanhou-nos na caminhada
À medida que a caminhada se fazia, o nariz começava a gelar mas até sabia bem, sentir aquele fresco. A chuva que havia caído uns dias antes fez com que, aqui e ali, houvesse algumas poças de lameiro mas nada que não se ultrapassasse. As folhas de castanheiro haviam tecido um tapete bem fofo, que amortecia a caminhada.
Na primeira parte deste trilho a levada encontrava-se seca, com muitas folhas e ramos que se destacavam, nalgumas zonas, por entre a terra vermelha. Os castanheiros estavam quase despidos de folhas, o que deixava transparecer o recorte dos ramos. A vegetação era, sobretudo, rasteira, crescia junto aos eucaliptos e pinheiros cujos troncos estavam a ser, devidamente, vestidos pelo musgo.
Encontravam-se vestígios das típicas flores destes percursos, os chamados novelos, mas tendo em conta a estação, as flores eram poucas ou quase nenhumas. Enquanto isso o cheiro do eucalipto ajudava a desentupir o nariz, por entre a friagem que se fazia sentir nas maçãs do rosto. Era altura de colocar o capuz do casaco porque os vestígios de uma gripe recente avisavam que o melhor era nos protegermos.
Mais adiante, o som do vento forte deu lugar ao som da água a correr pela ribeira abaixo. Pelo chão, alguns “tufos” de cabrinhas davam um ar de sua graça. Algumas árvores estavam repletas delas, as quais, a par dos fetos demonstravam que a época de Natal está próxima pois, como manda a tradição, estas plantas costumam ser usadas para decorar o presépio.
O frio começava a enregelar as mãos. Era das poucas partes do corpo que se encontrava exposta ao ar, de maneira que até custava tirar alguns apontamentos ou até mexer no telemóvel.
Mais adiante a levada começou a estreitar em cujo leito eram notórias algumas irregularidades que deixam antever como foi rasgado, em tempos, com instrumentos rudimentares e muito sacrifício. Passámos por uma casa da água. A partir daqui denotava-se que, recentemente, foi feita uma limpeza ao local tendo em conta a erva curta que havia na berma da mesma. A água parecia que estava parada, as muitas folhas impediam que corresse.
Galgámos umas pedras, que abrilhantavam uma pequena clareira, depois tivemos que atravessar uma estrada de terra. As árvores de grande porte dão a entender que estão ali há muitos mais anos que a própria estrada. Mais adiante, uma pedra semi-rectangular convida a nos sentarmos um pouco.
Pela encosta abaixo encontram-se aglomerados de altos mas franzinos eucaliptos sob um chão coberto de folhas de castanheiros. Enquanto isso, debaixo das nossas sapatilhas sentimos rolar algumas bolotas que caíram dos castanheiros. Em tempos, e depois de secas eram usadas dentro dos vestiários para evitar que a traça roesse a roupa.
A ameaça de chuva fez-nos apressar, um pouco mais o passo, de maneira que se sentia ainda mais o frio mas era um fresco agradável porque até o mau tempo tem a sua beleza, é preciso é estar pré-disposto a degustá-lo.
Mais adiante alguns postes de electricidade davam sinal de que estávamos perto do casario. Enquanto isso a vista alcançava, do outro lado da encosta, o posto de venda de porcos.
Seguimos os postes de “luz” pela estrada de terra, larga e sem fim à vista. A levada, essa, continuava do outro lado, mais uma hora e certamente chegaríamos à Portela. Ficará para uma próxima. Descemos a estrada de terra onde um bom 4x4 é o melhor para dali sair ou então, fazer como nós, caminhar a pé até alcançar a estrada de alcatrão. Para trás, ficou o lameiro, o frio e as folhas húmidas mas nada melhor para sentir a natureza por dentro. Para isso, não há que ter receio em sujar-se, vai ver que vale a pena, sentir-se-á mais vivo…
Élia Freitas
novembro 14, 2007
novembro 12, 2007
AO TRABALHADOR MADEIRENSE - JARDIM DE SANTA CATARINA

novembro 06, 2007
Borboleta da Madeira entrou em extinção
Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

É conhecida vulgarmente por 'Grande branca da Madeira' e é a primeira borboleta a ser considerada oficialmente extinta em território europeu, como resultado da acção humana.
A notícia foi divulgada pelo jornal britânico 'The Times', no âmbito da realização de uma conferência sobre borboletas em Laufen (Alemanha). Na reunião, os especialistas apontaram como causas do desaparecimento desta subespécie endémica do Arquipélago da Madeira, a perda de habitat devido ao aumento do índice de construção e a poluição proveniente de fertilizantes agrícolas.
António Franquinho Aguiar, que tem desenvolvido um vasto trabalho na área das borboletas do arquipélago, afirmou que hipóteses apresentadas como as queimadas florestais, o pastoreio desordenado e as actividades agrícolas não explicam o desaparecimento da 'Grande branca', "até porque algumas destas actividades já estavam em diminuição na altura dos acontecimentos e outras como o pastoreio não aconteciam no seu habitat".
Referindo que desde os anos oitenta não existem registos de observação desta borboleta, o investigador explica que é apologista de uma justificação apresentada em 2003 e que fala da possibilidade da estirpe 'Pieris brassicae' ter sido exposta a um vírus introduzido na Madeira pela 'Pequena Branca' (borboleta que apareceu na Região em 1974). Esse vírus "pode ter originado uma infecção generalizada ao ponto de dizimar as populações da borboleta". Outra hipótese credível é a introdução natural de uma vespa parasita que, na Europa, é responsável por 95% das mortes de lagartas das borboletas 'Pieris'.
Franquinho Aguiar diz que esta era uma borboleta grande, que dificilmente passaria despercebida. Também as suas lagartas eram conhecidas. "Como eram grandes e alimentavam-se várias lagartas da mesma couve, comiam uma folha em pouco tempo", explica.
Embora admita a possibilidade de outras espécies de borboletas desaparecerem nas próximas décadas, por variadas razões, Franquinho Aguiar refere que no âmbito das borboletas do arquipélago "não há nenhuma espécie que se possa considerar em perigo de extinção. Até as três espécies endémicas têm populações estáveis e não estão por isso ameaçadas". Ao nível mundial, a situação é mais preocupante.
Catálogo das Borboletas
Após a obra em colaboração, Guia das Borboletas do Parque Ecológico do Funchal, Franquinho Aguiar está a preparar a edição de um catálogo das borboletas do Arquipélago da Madeira. Este será o primeiro número de uma série de catálogos sobre a fauna entomológica (insectos) do arquipélago que deverão ser publicados nos próximos anos. Depois das borboletas será editado um livro sobre coleópteros (besouros ou escaravelhos). As edições serão financiadas pela Câmara do Funchal.
Grande branca da Madeira
- Nome vulgar: Grande Branca da Madeira;
- Nome científico: Pieris brassicae wollastoni;
- Família: Pieridae;
- Distribuição e habitat: Endémica da Madeira; Até 1950 esta borboleta foi referenciada sempre a altitudes superiores a 650m, incluindo a laurissilva húmida que se estende até aos 1.200m. A partir desta data, começa a voar também a altitudes inferiores, em zonas agrícolas onde as suas lagartas são encontradas a se alimentarem de couve;
- Descrição: Espécie de grandes dimensões, com envergadura de 55 a 65 milímetros. Asas anteriores com fundo alar branco puro e ápices com ampla ponta negra;
- Estatuto de conservação: Em tempos muito espalhada, mas agora extinta provavelmente desde meados dos anos 80. Os últimos exemplares foram observados em Maio de 1977 na Encumeada e no Paul da Serra.
Ana Luísa Correia
novembro 05, 2007
outubro 30, 2007
outubro 24, 2007
Balcões “oferece” retrato dos picos mais altos
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
A “Olhar” foi esta semana até ao Ribeiro Frio, mais concretamente, até aos Balcões. Este é, com certeza, um dos percursos pedonais mais concorridos da Madeira porque, durante a nossa caminhada de 1.30 horas, praticamente, de cinco em cinco minutos passavam por nós pequenos grupos de turistas, em ambas as direcções. Há muita informação a indicar o trilho, por isso, não há que enganar. O percurso é acessível, o caminho é largo e sem desníveis. É cerca de 1,5 quilómetros até chegar aos Balcões onde a paisagem compensa a caminhada. Pelo caminho, pode-se molhar a garganta nalguns espaços onde se podem apreciar, também, os produtos típicos regionais confeccionados à mão.

O tempo estava propício a um passeio a pé, desta feita, do Ribeiro Frio aos Balcões. Durante a caminhada pudemos constatar que o local faz jus ao nome que tem.
Num dos troços, e apesar da temperatura amena que nos acompanhou desde a saída do Funchal, ali chegados sentimos um frio, de tal maneira que houve necessidade de vestir o casaco. A ponta do nariz ficou gelada bem como as maçãs do rosto tal era o fresquinho que passava.
O caminho que fizemos para chegar até ao Ribeiro Frio, Funchal/Via Porto da Cruz, por si só, já nos convida a uma caminhada a pé. À medida que subíamos, embrenhávamo-nos nas montanhas cobertas de verde. Em cada curva, a paisagem nos surpreende.
Depois de passarmos os primeiros cafés e mais umas curvas, chegamos ao ponto de partida. No local eram visíveis algumas carrinhas com turistas e táxis, junto aos espaços de restauração e artesanato de onde sobressaíam as peças de lã confeccionadas à mão.
A entrada para a levada faz-se à direita, para quem vem a subir a Estrada Regional 103. Do outro lado da estrada temos a indicação de uma outra levada, que vai dar à Portela. Fica para uma próxima… centremo-nos nesta.
O início do percurso é estreito. Podemos optar por entrar junto à estrada onde o caminho é mais estreito ou abaixo dela, onde temos que subir alguns degraus que nos encaminham para o trilho.
O caminho é largo, em terra batida, com algumas curvas, mas andamos sempre na mesma cota. O espaço onde corre a água é estreito em relação ao restante. A água corria no sentido inverso à nossa caminhada.
Neste trilho não há falta de informação. Existem várias placas onde se pode ler “Levada Velha”, “Balcões” bem como a existência de um bar, a 600 metros. Um quadro informativo dá-nos diversas dados sobre o percurso desde o nome da levada, números de telefone úteis, normas de conduta e de segurança para que nada corra mal.
Esta levada tem 1,5 quilómetros, a caminhada leva 1.30 horas a ser feita, sempre, a uma altitude de 630 metros. Nesta primeira fase, galgamos as raízes das frondosas árvores, as pedras metidas na terra firme, cobertas por um fofo manto de folhas secas.
Deparamo-nos com alguns carvalhos e cogumelos gigantes. Alguns pequenos abismos mais adiante são “disfarçados” pela vegetação densa que corre pela encosta abaixo. O silêncio, levemente quebrado pela água a correr, é reconfortante, acompanhado pelo ar fresco com que enchemos os pulmões a cada passada.
Passamos pelo primeiro casal de turistas. Muitos mais se seguiriam. Atravessamos uma pequena ponte de cimento coberta com musgo. O leito do ribeiro estava seco. A vegetação variava pela encosta acima, ora entre pequenos grupos de pinheiros, ora por eucaliptos. Mas a laurissilva, inevitavelmente, faz parte deste quadro natural.
Duas grandes paredes rochosas formavam como que um túnel, onde um alegra-campo se mantinha de pé, mais parecia uma flor encaixada na orelha de uma criança. A passagem é estreita mas dá o seu quê de mistério ao passeio.
Diversidade de vegetação e produtos típicos
O caminho em frente continuava repleto de folhas secas e raízes que denunciam as dezenas de anos que cada uma daquelas árvores tem. Um pequeno casario, ao longe, vislumbra-se por entre os ramos de pinheiros. Alguns pereiros plantados abaixo da levada estavam cobertos por cabrinhas da serra, parecia que tinha nevado, mas neve verde…
Passamos pelo Bar Flor da Selva onde, além de se poder molhar a garganta, se pode apreciar diversos produtos típicos madeirenses como sejam colheres de pau, barretes de orelhas, aguardente de cana até socas de plantas.
Uma senhora que se encontrava a confeccionar barretes de orelhas lá foi dizendo que o que mais custa é estar tanto tempo sentada porque faz doer as costas. Um dos casais de turistas soltou-nos um “olá”, pareciam satisfeitos com a caminhada.
Mais adiante havia na berma pés de uveira da serra, estava madura. Disse-nos um dos senhores que passava que até da França vêem buscar porque dá energia.
Passamos pelo segundo bar deste trilho, o Balcões Bar. O som de chocalhos ao longe deu-nos a entender que havia animais a pastar, algures. Encontramos mais uma placa informativa a indicar o caminho para os Balcões. Novamente, mais um “túnel”, propiciado por duas grandes paredes rochosas. Aqui e ali encontramos algumas plantas que, em tempos eram muito vulgares nos jardins particulares, a par de algumas serralhas que serviam para alimentar os coelhos e, até plantas para afastar o mau olhado, dizem os populares.
Avista-se, novamente, um aglomerado de casas e o mar. Uma placa amarela indica-nos a direcção para os Balcões. Tivemos que descer. Um sinal de proibição indica-nos que não devemos continuar a levada em frente. Descemos o caminho em pedra, que foi estreitando à medida que descíamos. Depressa chegamos aos Balcões. Ali a vista alarga-se, o céu ficou a descoberto e as montanhas cobertas de verde dão uma beleza extraordinária ao local. A vegetação rareia no cume das montanhas.
Um mapa, já um pouco apagado, descrito sobre uma placa de cimento no miradouro indica-nos em frente, da esquerda para a direita o Pico do Gato, Pico das Torres, Pico Ruivo e Achada do Teixeira. O nevoeiro sobranceiro não nos deixava avistar todos os picos.
Ao fundo encontra-se a Estação Termo-Eléctrica da Fajã da Nogueira. Um pequeno caminho escavado na montanha permite lá chegar. No miradouro, alguns turistas apreciavam a paisagem, sentados em cima do amontoado de pedras.
Outra marca emblemática da nossa terra que se avista dali é a Penha d’Águia e ao seu redor, o casario disperso pelos vales. Era altura de fazer o caminho de regresso mas acabamos por descobrir outras coisas, inclusive, um casal de idosos que se preparava para trabalhar a terra. Ficamos com vontade de voltar porque andar a pé, pelos nossos caminhos verdejantes, dá saúde e chega a ser viciante…
Élia Freitas
outubro 18, 2007
outubro 15, 2007
Levada do Castelejo um “mercado” ao ar livre
Em cada troço percorrido nas levadas madeirenses não paramos de nos surpreender… Foi o que aconteceu, esta semana, durante uma caminhada que a “Olhar” realizou pela Levada do Castelejo, na freguesia do Porto da Cruz. O trilho previsto era pequeno mas não imaginávamos que, em tão poucos quilómetros encontraríamos tanta riqueza de vegetação, por entre alguns poios lavrados onde se contavam diversos legumes e frutos. Nas encostas, foi aliciante “descobrir” algumas espécies endémicas, por entre as muitas ervas medicinais que sobressaiam aqui e ali… Venha conhecer connosco este pedacinho de norte madeirense que, poderá não curar o corpo mas deverá, com certeza, dar saúde ao espírito e à mente…
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira

A Levada do Castelejo, na Referta, freguesia do Porto da Cruz é um dos trilhos pedestres dignos de uma visita. A “Olhar” aceitou o desafio e, esta semana, andou a pé, pelo norte da ilha.
Para chegar ao início deste trilho, seguimos pelo caminho que vai dar à Portela mas, em vez de virarmos à esquerda para o acesso que nos leva até ao local em questão, vamos sempre na estrada regional e viramos à direita onde diz “Achada”. Não há que enganar, na esquina existe um café.
Uns metros adiante, à esquerda existe uma escadaria em cimento. O ambiente envolvente é mesmo convidativo a uma caminhada a pé. A partir dali, a vista alcança a rocha da Penha d' Águia, o mar e as encostas verdejantes onde sobressaiem alguns pinheiros.
A estrada em frente estava engalanada com as bandeiras típicas das festas e cordões de luzes. O nosso destino era, mesmo, a caminhada. Por isso, descemos a escadaria, deviam ser mais de 40 degraus…
Esta primeira parte da levada é, toda ela, em cimento. O percurso é estreito, com algumas curvas mas, praticamente, sem desníveis.
A água que existia na levada era bem pouca, encontrava-se estagnada e repleta de folhas. Existem alguns postes de electricidade que levam a energia eléctrica ao casario que se encontra disperso na encosta, abaixo da estrada. As ameias brancas davam uma certa piada à encosta verde, mais parecia uma roda dentada deitada sobre o muro.
Nalguns poios avistavam-se alguns palheiros, usados em tempos, para guardar gado e, nalguns, casos, os produtos agrícolas. Um pouco mais à frente, uma outra escadaria dava acesso a uma casa particular, abrilhantada por novelos rosa e azuis. Estava bem arranjadinho.
Pelo caminho encontramos um pouco de tudo, desde verduras e árvores de fruto. Outras, ainda, que embora não dêem frutos, embelezam o percurso. Algumas das plantas são endémicas como é o caso da urze e do loureiro, a par de outras, caso das cabrinhas e bambu.
Mas a grande variedade de produtos, cujas folhas dão origem às diferentes tonalidades de verde dispersas na paisagem, só nos faz crer que o terreno é muito fértil, em que muita ajuda a abundância de água que viamos escorrer das paredes.
Dos produtos cultivados destaque para algumas couves, abóboras, inhame, semilhas, batata doce, pipinelas e agrião. Parecia um autêntico mercado ao ar livre, onde tudo está à mão para confeccionar uma saborosa sopa, mas não há que esquecer que tem dono… por isso, é melhor, apenas apreciar. Prova disso era um dos camponeses que caminhava na direcção contrária à nossa, de bordão na mão. Pela vestimenta parecia ir ver como anda a produção…
Numa das curvas, era de pasmar um pequeno pedaço de terreno, cultivado com rama de semilha, todo ele debruçado sobre o a abismo, em jeito de caracol. Noutros pontos, havia erva, mais ou menos tenra para o gado e junco que, em tempos, era usado para cobrir as casas.
Árvores de fruto e plantas medicinais
Para além dos cactos e figueiras, aqui e ali apareciam algumas árvores de fruto. Alguns já estavam mais ou menos maduros, outros, nem por isso, como era o caso das anonas, castanhas, pêra abacate, bananas, maracujás de banana, nêsperas e girassóis.
Algumas plantas invasoras, também, marcavam presença durante o caminho, como seja a acácia, o silvado e a bananiche. O silvado, embora pique e não seja muito agradável, sempre, dá algo de bom, as amoras. Não resistimos e provamos, como autênticos adolescentes que, há uns anos atrás, andavam pelos campos, de frasco na mão, a colher este fruto para logo saborerar, depois de polvilhados com uma colher de açúcar.
Era uma recolha feita em jeito de brincadeira que, muitas vezes, acabava por deixar cada nódoa na roupa… neste caso, deixou-nos os dedos mais ou menos roxos… mas valeu a pena, apesar de algumas picadelas dos espinhos.
As fileiras de canavieiras davam outra tonalidade de verde ao quadro natural enquanto no fundo do vale corria um razoável caudal de água.
Nas paredes da rocha, haviam “mini-repuxos” e nas bermas do caminho crescia de tudo um pouco desde feiteiras às ervas medicinais para curar "males" como dores de cabeça, algumas, ainda, para curar certas doenças dos próprios animais. O segredo está em distingui-las, cujo saber é, por vezes, transmitido oralmente das gerações mais velhas para as mais novas. As flores, também, fazem parte deste quadro. Espadanas, açucenas e palmas de São Lourenço.
Nalguns troços, onde o abismo era mais evidente, haviam vedações. Este percurso “obriga-nos” a atravessar três pequenas pontes de cimento, sem as quais, seria quase impossivel fazer toda esta caminhada, a não ser, galgando o fundo do vale. Numa delas, é de lamentar um amontoado de folhas de zinco a decomporem-se.
Ao alcançarmos o outro lado do vale com a grande ajuda das pontes, avistamos o trilho galgado. Ao fundo, vários poios, que mais pareciam uma manta de retalhos. Aproximamo-nos de uma das casas. A levada passa, mesmo, nas costas da mesma. Um dos residentes “acartava” um molho de erva para dentro do palheiro. Aqui a levada estreita, há mais canavieiras e pinheiros na encosta.
Continuamos a andar, atravessamos um pequeno “furado” (túnel) e chegamos junto à estrada. Mas aqui só se pode ir numa direcção, é que a estrada não tem saída… Mas, quem quiser, pode prosseguir pela levada.
Optamos por sair. Regressamos com um cheirinho a produtos frescos, com o espírito bem refrescado pela natureza…
Élia Freitas
outubro 11, 2007
FLORES NO MERCADO DOS LAVRADORES

outubro 10, 2007
3.225 passageiros na estreia
“Navigator of the Seas”, da Royal Caribbean, fez ontem a primeira de quatro escalas previstas para o Funchal
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
Chegou ontem, por volta das 12 horas, naquela que foi a primeira de quatro escalas no porto do Funchal. O “Navigator” é o quarto navio da classe e está entre os maiores paquetes do mundo, com 138 mil toneladas de arqueação bruta.

O “Navigator of the Seas”, da Royal Caribbean, fez ontem a sua estreia no Funchal, trazendo a bordo 3.225 passageiros, na sua grande maioria, de nacionalidade inglesa (3.066). Foi a primeira de três escalas em viagens de cruzeiro desde Southampton com destino a Tenerife, agenciado pela empresa J.F. Martins. Uma quarta visita está programada para a viagem transatlântica de regresso às Caraíbas, onde este navio da classe “Voyager of the Seas” vai operar depois de ter estado baseado este Verão no porto inglês de Southampton.
No porto, uma “comitiva de boas- vindas”, composta por elementos da Administração de Portos e do Clube de Entusiastas de Navios (CEN), aguardava a chegada do navio. Para surpresa destes últimos, o comandante do “Navigator” é o mesmo que, em 1998, tripulava o “Virgin of the Seas”, então escolhido para a realização do primeiro cruzeiro do Clube, que juntou 40 pessoas. Trata-se de Otto Bang, que já na altura havia assinado o livro de honra do CEN, tendo voltado a fazê-lo, agora, na qualidade de comandante deste navio. Recebeu ainda um DVD e um livro sobre a Madeira e ainda uma placa alusiva à escala.
Recorde-se que o “Navigator” é o quarto navio da classe e está entre os maiores paquetes do mundo, com 138.000 toneladas de arqueação bruta e capacidade para 3.114 passageiros, em ocupação dupla. O primeiro paquete da classe “Voyager” foi construído na Finlândia pelos actuais estaleiros Aker Finnyards, ex-Kvaerner Masa Yards, ex-Wartisla, tendo sido entregue em Novembro de 1999 à Royal Caribbean. Seguiram-se as entregas dos gémeos “Explorer of the Seas” em Agosto de 2000, “Adventurer of the Seas” em Outubro de 2001, “Navigator of the Seas”, em Novembro de 2002 e “Mariner of the Seas” em Dezembro de 2003.
Neste espaço, o JM já deu conta de que o último trimestre de 2007 é o que regista maior número de estreias de navios de cruzeiro na ilha da Madeira. É o caso do “Spirit of Adventure”, ex-“Berlin” da Peterdeilman, que regressa à Madeira a 17 de Outubro com as cores do grupo “Saga Holiday”.
“Ocean Village II”, “Carnival Freedom” (ambos a 3 de Novembro), “Jewel of the Seas” (4 de Novembro), “Jules Verne” (19 de Novembro), “MSC Orchestra” (1 de Dezembro), “Costa Serena” (3 de Dezembro), “Star Princess” (13 de Dezembro), “Delphin Voyager” (20 de Dezembro) e “Queen Victoria” (28 de Dezembro), visitam também pela primeira vez a Madeira ainda este ano.
Para 2008, estão previstas muitas outras novidades.
Celso Gomes
outubro 01, 2007
setembro 28, 2007
setembro 25, 2007
Jardins ricos e vulneráveis
Há quintas madeirenses, com unidades hoteleiras, cuja riqueza florística permite que desenvolvam o conceito de hotéis botânicos. Existem outras com condições para funcionar como colecções botânicas privadas
Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira
Trinta e três espaços verdes do Funchal foram objecto de uma tese de doutoramento. Inventariar a flora ornamental, conhecer as espécies, a sua origem, detectar as que estão ameaçadas e contribuir para que os jardins evoluam, no sentido de áreas privilegiadas de formação ecológica e de educação ambiental, constituem alguns dos objectivos da investigação.

Árvores, arbustos e pequenas plantas de parques, jardins, quintas e cemitérios foram inventariados entre 2002 e 2005. Nos espaços verdes estudados identificaram-se 194 famílias, 901 géneros e 1928 'taxa' (1771 espécies, 32 subespécies, 40 variedades e 85 híbridos). Os resultados revelam uma "elevadíssima fitodiversidade, mas simultaneamente uma enorme vulnerabilidade florística", afirma o autor, Raimundo Quintal. A tese, intitulada 'Estudo Fitogeográfico dos Jardins, Parques e Quintas do Concelho do Funchal' foi apresentada em Julho, na Universidade de Lisboa, tendo sido aprovada com Distinção e Louvor. O júri aconselhou a sua publicação.
Entre as quintas privadas estudadas estão a Quinta do Palheiro Ferreiro, com "a maior riqueza florística (631 espécies)", a Quinta Monte Palace (484 espécies), a Quinta Palmeira (414 espécies) e a Quinta Jardins do Imperador (284 espécies). As quintas que funcionam como espaços públicos, geridos pelo Governo Regional, foram também alvo de estudo, nomeadamente a Quinta Magnólia, a Quinta Vigia, a Quinta das Cruzes, assim como o Parque de Santa Catarina, o Jardim Municipal, o Parque Municipal do Monte e jardins de unidades hoteleiras.
Neste último caso, foram seleccionados os jardins do Hotel Savoy e os do Hotel Reid's, "uma preciosidade como unidade paisagística e em termos de riqueza florística", comenta Raimundo Quintal. Os espaços ajardinados do Pestana Village, do Hotel Cliff Bay e Pestana Casino Park integram também o estudo, "atendendo a que, para além da introdução recente de espécies, há algumas árvores que se mantiveram das antigas quintas Pavão, Vigia e Bianchi". Da investigação faz parte também o Cemitério de São Martinho e o Cemitério Inglês com o objectivo de perceber, através da flora ali existente, a influência cultural, diz o autor.
Para cada um dos 33 espaços seleccionados foram inventariadas todas as espécies e cartografadas à escala do canteiro, assim como foi elaborado um elenco florístico de cada um, no sentido de determinar a sua riqueza. As espécies foram analisadas, entre outros aspectos, consoante o porte, a origem, o regime fenológico (folheação e floração) e estudado o índice de rusticidade (temperatura mínima que suportam).
A propósito da proveniência das espécies existentes, Raimundo Quintal diz que "é possível concluir que 64 a 66% da flora dos jardins do Funchal tem origem tropical e subtropical, enquanto 30 a 32% provém das regiões de clima temperado". Perante os resultados adianta que muitas das plantas foram introduzidas pelos emigrantes. "Há uma correlação positiva entre as regiões de origem das plantas e os países onde vivem as comunidades madeirenses. Muita da riqueza existente tem a ver com esse movimento, que tem sido esquecido, mas que é uma realidade".
Na perspectiva do investigador, a forte componente Neotropical depende das sementes, estacas e mudas trazidas pelos emigrantes madeirenses desde a Venezuela ou do Brasil, enquanto a representação da flora Áfricotropical não pode ser explicada sem a participação activa dos emigrantes na África do Sul ou das pessoas que viveram em Angola e Moçambique. A tendência para trazerem e levarem plantas foi confirmada durante a investigação, diz Raimundo Quintal.
Como exemplo refere o comendador José Berardo ao trazer as "cicas" da África do Sul para a ilha. "Como emigrante com sucesso pôde trazer em quantidade plantas que gostou. Com essa atitude praticou o comportamento habitual de outros madeirenses que, com menos posses, traziam na mala ou nos bolsos pequenas plantas, sementes, bolbos e estacas".
Actualmente - diz - "este comportamento tende a esbater-se com a globalização do negócio das plantas, importando-se as que estão em moda nos grandes mercados internacionais".
Raimundo Quintal considera que esta situação "está a criar algo indesejável, que é a normalização. Vai retirar a identidade que existia, porque as plantas que estão a ser introduzidas nos jardins mais recentes, quer em hotéis, quer em espaços públicos, fazem com que não se distingam dos que os turistas observam nas Canárias e em muitas regiões do Mediterrâneo". Mas se os madeirenses emigrados foram e são responsáveis pela introdução de imensas plantas ornamentais, "não é menos verdade que as famílias inglesas contribuíram de forma muito significativa para a riqueza florística dos espaços verdes do concelho do Funchal", afirma o investigador, apesar de salvaguardar que a influência dos ingleses na introdução de plantas na ilha "não tem o peso que se tem afirmado. Fala-se em pessegueiro-inglês e tomateiro-inglês, mas nenhuma dessas plantas é originária da Inglaterra e duvido que tenham vindo para quintas inglesas".
Explica que nas muitas quintas construídas no Monte, Palheiro Ferreiro, Camacha e Santo da Serra, a partir da segunda metade do século XVIII, foram introduzidas espécies da flora temperada, com o objectivo de recriar as paisagens britânicas. Entre os 500 e os 700 metros de altitude, as mudanças de cor, o nascimento e a perda das folhas das árvores caducifólias marcam as estações do ano.
Nos jardins da beira-mar, onde predominam as plantas dos climas tropicais e subtropicais, as cores da paisagem ao longo do ano dependem essencialmente dos diferentes regimes de floração.
Mas se a riquíssima fitodiversidade é evidente, há também, conforme revela o estudo, uma grande vulnerabilidade taxonómica. Raimundo Quintal explica que dos 1928 'taxa' que integram o Elenco Florístico dos 33 espaços verdes estudados, 818, ou seja 42,4%, apenas ocorrem num dos espaços e 254 (13,2%) só estão representadas por um indivíduo, "o que significa que muito facilmente poderão desaparecer". Atendendo a esta situação crítica, considera necessário a criação de uma equipa de trabalho com o objectivo de multiplicar e preservar as espécies ameaçadas.
Entre as conclusões apresentadas refere que "apenas 23 espécies aparecem em mais de 75% dos espaços verdes estudados. As mais marcantes são o jacarandá ('Jacaranda mimosifolia'), a sumaúma ('Chorisia speciosa'), a planta dos dentes ('Plumeria rubra') e a chama da floresta ('Spathodea campanulata'). São árvores de flores espectaculares que são estruturantes na arquitectura e essenciais na imagem dos jardins subtropicais". Segundo a tese, as duas espécies mais frequentes nos jardins do Funchal são a palmeira das Canárias e o cardeal. Realça também a presença muito frequente de espécies da Madeira, como o til ('Ocotea foetens'), o dragoeiro ('Dracaena draco ssp. draco'), o barbusano ('Apollonias barbujana') e os massarocos ('Echium candicans e Echium nervosum'). "Isso revela o bom hábito da utilização das espécies indígenas. É uma marca positiva", destaca o geógrafo.
Os espaços verdes estudados - afirma- "além do contributo para a imagem do Funchal como Cidade Jardim, funcionam como repositórios de flora exótica e indígena, garantindo a conservação 'ex situ' de espécies ameaçadas na Natureza. Como exemplos temos o dragoeiro ('Dracaena draco ssp. draco') e o mocano ('Pittosporum coriaceum'), uma árvore endémica da Madeira, extremamente rara nalgumas ravinas no norte da ilha, que sobreviveu nas quintas Monte Palace, Jardins do Imperador e Palheiro Ferreiro".
O autor do estudo evidencia também a importância dos espaços verdes para o turismo. As quintas - conforme salienta - constituem um importante nicho na oferta turística da ilha. "Os números referentes às entradas pagas na Quinta Monte Palace e na Quinta do Palheiro Ferreiro permitem concluir que são visitadas por cerca de 25% dos turistas que entram na Madeira", mas apesar desta afluência a maioria "usufrui dos espaços verdes de forma passiva". A propósito Raimundo Quintal considera que a Quinta do Palheiro e a Estalagem Jardins do Lago possuem condições para desenvolver o conceito de hotel botânico, onde para além do lazer o hóspede poderia usufruir de informação circunstanciada sobre flora e ter a possibilidade de fazer férias activas, participando nas tarefas de conservação e enriquecimento da formação vegetal. Poderiam ter pequenos cursos de jardinagem, associar-se aos trabalhos o que criaria uma certa fidelidade, atendendo a que as pessoas gostam de ver o resultado do que plantaram.
Por outro lado, diz que há três quintas que, não integrando hotéis, possuem uma riqueza florística que lhes permite desenvolver o conceito e integrar a rede internacional de colecções botânicas privadas: a Quinta do Monte Palace, a Quinta Palmeira e a Quinta Jardins do Imperador. "A primeira já iniciou esse percurso necessitando, no entanto, de melhorar os conteúdos informativos. A Quinta Palmeira e a Quinta Jardins do Imperador têm um caminho mais longo a percorrer, quer nos trabalhos de manutenção, quer na produção de informação. A primeira, situada entre 200 e 300 m de altitude, possui espécies que não existem em nenhum outro local. O seu património florístico ultrapassa as 400 espécies, algo muito semelhante ao património inventariado para o jardim Tropical em Lisboa".
O estudo levou à criação de uma base de dados que abarca 95% das espécies da flora ornamental existente na Madeira e pode ser actualizada constantemente para cada jardim e para o conjunto dos 33 espaços. Possibilita, conforme refere, verificar em tempo real o que é introduzido e o que desaparece.
Entre os objectivos já enunciados a tese permite também disponibilizar informação para que utentes e gestores dos espaços verdes conheçam as características fitogeográficas e o valor ecológico das espécies e para que possam melhor preservá-los.
Bilhete de Identidade
Nome: Raimundo Quintal
Data de nascimento: 6-10-1954
Naturalidade: São Martinho, Funchal
Percurso académico e profissional: Licenciatura em Geografia pela Universidade de Lisboa em 1981. Doutoramento em Geografia, especialidade em Geografia Física, pela Universidade de Lisboa, concluído a 20 de Julho de 2007.
Foi professor de Geografia na Escola Secundária Francisco Franco desde o ano lectivo1985/86 e assistente convidado do Departamento de Educação da Universidade da Madeira no ano lectivo 2001/2002. Presidiu o Clube de Ecologia Barbusano desde a sua fundação em 1988, até 1994.
De Outubro de 1981 a Julho de 1986 e Outubro de 1990 até Fevereiro de 1993 foi coordenador do suplemento Cidade/Campo, sobre temas de Urbanismo e Ambiente, no Diário de Notícias do Funchal. É autor de várias obras e de numerosos artigos de Ecologia, Biogeografia e Educação Ambiental publicados em jornais e revistas.
Realizou documentários, da sua autoria, sobre património natural e cultural, exibidos em televisões nacionais e internacionais. De Outubro de 2002 a Junho de 2003, criou e apresentou programa semanal sobre Educação Ambiental na RDP- Madeira.
Vereador do Pelouro do Ambiente, Educação e Ciência, de Janeiro de 1994 a Janeiro de 2002, promoveu a vertente educativa das questões ambientais. Entre os projectos de conservação da natureza, de requalificação paisagística e de educação ambiental que liderou está criação do Parque Ecológico do Funchal e o Galardão de Ouro das Cidades e Vilas Floridas da Europa.
É sócio fundador da Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal e presidente da direcção desde Fevereiro de 2002. É membro do Conselho Consultivo das Ilhas da 'Seacology Foundation', com sede em Berkeley, nos EUA.
Teresa Florença
setembro 21, 2007
setembro 18, 2007
Símbolos do Funchal em livro
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
Um estudo sobre os símbolos da Cidade do Funchal, da autoria das docentes universitárias Fátima Abreu e Uriana Gaspar, irá ser editado em livro. A edição da obra estará a cargo da Comissão Executiva dos 500 anos da Cidade do Funchal.

O brasão e a bandeira da Cidade do Funchal foram objecto de estudo pelas professores universitárias Fátima Abreu e Uriana Gaspar.
O estudo, ontem apresentado na Câmara Municipal do Funchal para a população menos jovem do concelho, irá resultar num livro a editar pela Comissão dos 500 anos da Cidade do Funchal.
A publicação da obra está prevista para 2008, ano em que oficialmente se assinala o aniversário da cidade.
Tanto o brasão como a bandeira, realçou ontem Fátima Abreu, estão relacionados com a economia regional designadamente com a produção da cana-de-açúcar.
«No tempo em que a simbologia se foi construindo, o Funchal era de facto o pólo de dinamismo da economia do arquipélago. Nessa medida, faz todo o sentido que exista (no brasão da cidade) este retrato da ilha e da sua economia», referiu.
Antes de 1936, a constituição do brasão tinha o açúcar e a vinha retratados, «mas não havia esta sobrecarga de elementos». Aos elementos inicialmente existentes, foram acrescentadas as quinas de Portugal, que «vieram “espremer” os cachos das uvas. As uvas em cima dos escudos significam domínio: do Estado, da Nação», explicou.
Na opinião desta historiadora, «o açucar foi sempre tido como o período mais importante da história».
Já a bandeira da cidade, até 1936, tinha a mesma cor da bandeira nacional (branco), mas com o nosso brasão. A partir dessa data, «determinou-se que cada cidade ou vila teria a sua própria simbologia e a sua própria bandeira».
Neste âmbito, Fátima Abreu refuta a ideia de que se tenha perdido a simbologia da Nobreza. No seu entender,«a Nobreza está presente nas cores da bandeira actual, porque o amarelo representa o ouro e o púrpura lealdade».
De realçar que a conferência de ontem inseriu-se no programa de actividades formativas desenvolvidas pela autarquia funchalense. Uma das próximas acções, salientou ontem a vereadora da CMF Rubina Leal, é de carácter inovador. Trata-se de um curso de Primeiros-Socorros dirigido aos menos jovens. Esta iniciativa decorrerá no mês de Outubro no edifício dos Bombeiros Municipais do Funchal.
Odília Gouveia
setembro 14, 2007
setembro 13, 2007
O Comboio do Monte e o elevador do Bom Jesus
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
Talvez não tenha sido por acaso que parte do material do Comboio do Monte, após os seu desmantelamento, tenha ido parar a Braga. Quem sabe o nome de Raul Mesnier Ponsard, engenheiro, possa ter alguma relação com essa viagem?
Muito se tem falado e escrito sobre o célebre comboio do Monte que, até 1943, resfolgou vapores pela Rua do Comboio, a caminho do Terreiro da Luta, transportando turistas e madeirenses.
Muitos são os que se interrogam para onde foi o material do comboio após o seu desmantelamento. Hoje, a "Olhar" mais do que levantar uma ponta do véu, lança um desafio a quem possa fornecer mais dados sobre o destino da "sucata" a que foi reduzido um dos mais populares meios de transporte de outros tempos no Funchal.

Uma rua chamada Caminho de Ferro
O Comboio do Monte, também conhecido por elevador ou ascensor foi, sem sombra de dúvidas, um grande contributo para o desenvolvimento da freguesia do Monte, que viria a ser a mais conhecida estância turística da Madeira.
Os estudos para o Comboio do Monte foram feitos em 1886, pelo engenheiro Raul Mesnier Ponsard.
Apesar da relutância dos madeirenses em contribuir com capital para a formação da Companhia do Caminho-de-Ferro do Monte, o primeiro troço, entre o Pombal e a Levada de Santa Luzia, foi inaugurado a 16 Julho de 1893. A ideia para a construção de um elevador ou caminho de ferro partiu de António Joaquim Marques (de Lisboa), que obteve o consentimento da Câmara do Funchal em 17 de Fevereiro de 1887.
Com uma paragem à porta do Monte Palace Hotel, o comboio continuava até ao apeadeiro do Largo da Fonte, que era o fim da linha.
Mais tarde, a linha-férrea foi prolongada até ao Terreiro da Luta ficando, no total, com uma extensão de 3850 metros.
A explosão que "quase matou" o comboio
A 10 de Setembro de 1919 deu-se uma explosão na caldeira, de uma locomotiva, quando o comboio subia em direcção ao Monte.
Deste acidente resultaram 4 mortos e muitos feridos. Devido a este desastre, as viagens foram suspensas até 1 de Fevereiro de 1920. A 11 de Janeiro de 1932, aconteceu novo desastre, desta vez por descarrilamento. A partir de então, turistas e habitantes viraram as costas ao caminho de ferro, considerando-o demasiado perigoso. Aliando este facto à II Guerra Mundial, que se iniciou entretanto, verificou-se uma falta de turistas na Madeira e a Companhia do caminho de ferro entrou em crise; a última viagem do comboio realizou-se em Abril de 1943 e a linha foi logo desmantelada. Parte do material resultante do desmantelamento, nomeadamente os carris, foi para a sucata e parte foi utilizado na reparação do elevador do Bom Jesus, em Braga.
Do Funchal para Braga
O Elevador do Bom Jesus, é um funicular que liga a parte alta da cidade de Braga ao Santuário do Bom Jesus do Monte.
O elevador segue um percurso paralelo a uma escadaria monumental conhecida como Escadórios do Bom Jesus e termina na sua parte superior junto à estátua equestre de São Longuinhos.
O elevador funciona sobre uma rampa e é constituído por duas cabines independentes, ligadas entre si por um Sistema funicular.
O seu funcionamento baseia-se no sistema Contrapeso de Água. As cabines têm um depósito que é cheio de água, quando estão no nível superior, e vazio no inferior. A diferença de pesos obtida permite a deslocação. No elevador do Bom Jesus, a quantidade de água é calculada em função do número de passageiros que pretendem efectuar viagem em cada sentido.
Onde Mesnier aparece de novo
Inaugurado em 25 de Março de 1882, a sua construção foi iniciada em Março de 1880. O Elevador do Bom Jesus, em Braga, constituiu o primeiro funicular construído na Península Ibérica. A iniciativa da sua construção deveu-se ao empresário bracarense Manuel Joaquim Gomes (1840-1894) e a direcção do respectivo projecto foi do engenheiro suíço Niklaus Riggenbach. Este, que a partir do seu país natal enviava todas as indicações necessárias para a construção do Elevador, contou com a imprescindível colaboração técnica e prática do engenheiro português de ascendência francesa Raul Mesnier du Ponsard, que em Braga dirigiu a execução do projecto.
O Elevador do Bom Jesus é actualmente o mais antigo do mundo em serviço a utilizar o sistema de contrapeso de água.
O seu impacte foi de tal ordem que logo nesse mesmo ano, se constituiu em Lisboa a Companhia dos Ascensores, que convidou Raul Mesnier para projectar e instalar na capital uma série de elevadores — Glória, Bica, Santa Justa, etc —, uma parte dos quais ainda hoje se encontra em funcionamento.
Raul Mesnier Ponsard
Raul Mesnier Ponsard nasceu no Porto, São Nicolau, em 2 de Abril de 1848 e faleceu em Inhambane, Moçambique, em 1914. Português, de origem francesa, formou-se na Universidade de Coimbra em Matemática e Filosofia e na França em Engenharia Mecânica, percorrendo a Suíça e a Alemanha onde frequentou as principais escolas-oficina, contactando com os maiores projectistas e fabricantes de material ferroviário de transporte. Ficou conhecido por ter construído muitos elevadores, e funiculares em Portugal.
Como engenheiro de obras públicas foi projectista de sistemas de elevadores de transporte público em Braga (Elevador do Bom Jesus), Porto (Funicular dos Guindais), Lisboa (elevadores de Santa Justa, Glória, Bica, Lavra), Nazaré (Elevador da Nazaré) e do comboio do Monte, no Funchal.
Octaviano Correia
setembro 12, 2007
setembro 11, 2007
“Há um novo paraíso no Atlântico”
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
Os mais antigos não devem conhecer — ou até saber pronunciar — o nome canyoning. Mas se lhes falarmos de “descidas de ogaje”, devem associar aos montanhistas e cabreiros que desciam as ribeiras madeirenses. Antes por necessidade, agora por desporto, o canyoning está na moda e a Madeira tem um potencial a explorar. Para muitos estrangeiros praticantes, “há um novo paraíso no Atlântico”.
No ponto de vista de um dos impulsionadores da modalidade na Região, há que criar legislação específica para a prática das descidas de ribeira, com a definição de regras claras. Entretanto, Rui Nelson descreve à “Olhar” a experiência de descer uma ribeira, com os sons da água e o cheiro da natureza como companhia…

As ribeiras e cascatas madeirenses são mais do que cursos de água. Cada vez mais são usadas para a prática de um desporto radical que está na moda. O canyoning é uma modalidade com vários anos de existência na Madeira que se possibilita descidas vertiginosas pelas águas transparentes do interior da ilha, com a beleza verdejante como testemunha daqueles que, durante vários anos, têm vindo a se aventurar por este tipo de trilhos, quer seja por aventura quer seja por necessidade.
Antes, o canyoning dava pelo simples nome de “descida de ribeiras” ou, um termo mais regional, “descida de ogajes”. Antigamente, esta prática era comum por parte dos montanhistas e cabreiros, homens que tratavam do gado pelas serras e que tinham de seguir os trilhos das cabras para as manter unidas. Com a saída destes animais das serras, as descidas de ogajes perderam o seu sentido prático, mas ganharam adeptos, aventureiros que gostam de aliar a aventura ao ar livre.
Apesar de só agora estar na moda e na boca do mundo, foram vários os madeirenses que nos últimos anos se embrenhavam no interior da ilha para se aventurarem nestas descidas, como era o caso do cardiologista Alivar Cardoso, já falecido. “Das pessoas mais antigas que já ouvi falar, foi do dr. Cardoso, que descia o Ribeiro Frio já há muitos anos atrás”, salienta Rui Nelson, do Clube Naval do Seixal, entidade que recentemente organizou um encontro internacional de canyoning na Madeira, que diz que este desporto tem futuro na Região, em termos de potencial turístico.
É necessário criar legislação para a modalidade
Contudo, chama a atenção para a necessidade de ser criada legislação regional para a modalidade, com vista ao estabelecimento de regras não só para os praticantes mas também para a defesa dos vários lugares que permitem descidas de aventura nas várias cascatas da Madeira. A seu ver, há que respeitar a história das descidas de ogajes, os primeiros “ogajeiros”, os lugares e os seus nomes e que definir na lei quais as ribeiras que podem ser usadas para as descidas.
De momento, o Clube Naval do Seixal e as agências interessadas nesta modalidade de aventura estão a dialogar com as entidades regionais, como é o caso da Direcção Regional das Florestas e da Direcção Regional do Ambiente, com o objectivo de serem criadas regras para esta prática e para a segurança de quem a faz. “Como estamos no início, e se trabalharmos todos para o mesmo fim, penso que teremos uma modalidade que também vá caracterizar a Madeira, como um cartaz turístico que já está feito e que não tem concorrência. Só temos de o organizar”, sublinha este impulsionador do canyoning.
Salientando que o Clube Naval do Seixal abraçou esta modalidade por estar ligada à água e por ser naquela freguesia que se encontram “as melhores cascatas da Madeira”, Rui Nelson explicou que uma descida de ogaje para um iniciado é difícil. “A maior parte das nossas cascatas são extensas e não é qualquer um que as consigam descer”, comenta.
Contudo, “o potencial para pessoas que são especialistas ou que têm formação nesta área é muito grande”. A Madeira está a ganhar nome internacional no que se refere a esta oferta, de descidas de ribeiras. Rui Nelson salienta que “um dos melhores lugares do mundo para esta prática é na Ilha de Reunião, no Índico”. Mas, muitos estrangeiros começam a conhecer a potencialidade da nossa ilha e estão a passar a palavra de que “há um novo paraíso no Atlântico, que é a Madeira, para este desporto de aventura”.

Formação é muito importante
Não só a pensar nos turistas mas também nos madeirenses, o Clube Naval do Seixal — bem como outros clubes regionais que estão a apostar no canyoning — está a incidir na formação. Até ao momento, já realizou três cursos de formação, que fornecem ao formando o cartão da Federação Nacional de Montanhismo. Mais cursos serão ministrados, divulga ainda. O Clube Naval do Seixal conta actualmente com cerca de 30 praticantes da modalidade, de várias idades.
Rui Nelson recorda ainda que o último encontro internacional de canyoning realizado pelo Clube Naval do Seixal teve “uma projecção enorme nos sites espanhóis, franceses e alemãs”, nomeadamente. Com os primeiros passos a serem dados para o reconhecimento internacional, o entusiasta adianta que será organizado um novo evento no próximo ano. O Clube já está a ser contactado por vários montanhistas do Brasil, França, Espanha. “Há uma grande afluência em virem para cá. Neste momento, as fotografias da Madeira começam a aparecer nos sites internacionais. Começa-se a revelar que temos potencial”.
De qualquer modo, Rui Nélson chama a atenção: “nós não estávamos nem estamos preparados ainda para desenvolver a modalidade na Madeira. As infra-estruturas já estão feitas, que é a própria natureza, mas é preciso definir em termos de legislação, como é que é feito o canyoning na Madeira, se devemos dar conhecimento — e a quem — de que vamos fazer descidas de ribeiras, por exemplo”.
Livro francês vai colocar canyoning madeirense na boca do mundo
Com a ausência de legislação portuguesa, os madeirenses optaram por seguir o que define as lei francesa sobre a modalidade. A propósito, o membro do Clube Naval do Seixal salienta que será editado no próximo ano um livro sobre o canyoning da Madeira, por um autor francês. “Ele está a fazer um levantamento sobre os canyonings da Madeira e refiro que se deve ter cuidado em manter os nomes originais das ribeiras, como os nossos antepassados — os cabreiros — chamavam, não usar estrangeirismos para as nossas ribeiras e veredas”.
Com esse livro, Rui Nelson acredita que haverá uma “enorme projecção” da Madeira tendo em conta que a obra será lançada internacionalmente. É necessário pensar em termos futuros, com o aumento de visitantes específicos para a prática desta modalidade. De momento, a procura já dá sinais de crescimento.
“Todas as semanas temos pessoas a nos contactar do estrangeiro interessadas em cá vir para fazer canyoning. Neste momento, se alguém quiser descer ribeiras, a que está a ser usada para esse fim, e devidamente preparada, é a do Ribeiro Frio. É uma zona muito acessível até para os iniciados, porque tem cascatas pequenas e que está já a ser comercializada como produto para esta modalidade. Muitas agências já usam esta ribeira como uma oferta para o canyoning”.
Quanto a outras cascatas, Rui Nelson diz que são mais difíceis, mas que são aliás as que terão maior procura por parte dos canyonistas especializados. De uma vasta lista, e de acordo com a página da internet http://canyoningmadeira.blogspot.com/, o canyoning pode ser praticado nas Ribeiras do Seixal, na Ribeira Funda, da Hortelã, do Alecrim, das Cales, da Pedra Branca, da Água Negra, do Inferno, entre muitas outras. Neste sítio da “net”, o responsável informa a necessidade de pedir autorização à Direcção Regional de Florestas para a prática da modalidade.
Madeira tem de gerir melhor canyoning do que fez com surf
Noutro âmbito, o nosso entrevistado, Rui Nelson, diz que a Madeira tem de saber gerir a oferta deste desporto de aventura, de modo a que não aconteça o mesmo que aconteceu ao surf, que perdeu o seu mercado. “Temos de ter os devidos cuidados e penso que os vamos ter”.
Apontando o exemplo dos Açores que não tendo qualquer historial de canyoning, preparou uma equipa para estudar as potencialidades da modalidade, Rui Nelson considera que essa ideia deveria ser analisada pela Madeira. “Mas temos de perceber quais as potencialidades que temos e organizá-las à nossa maneira, com o apoio de alguém de fora. Acho completamente certo ir lá fora ver o que está a ser feito, em lugares que vivem economicamente dos desportos de aventura e da natureza e trazer as pessoas certas para nos ajudarem a fazer um plano de desenvolvimento para esta modalidade na Região”, defende.
Com ou sem estudos ou regras, a verdade é que o canyoning — ou as descidas de ogajes — já está em crescimento na Madeira, quer para os turistas quer para os madeirenses. Com a devida formação, Rui Nelson descreve a sensação de descer uma ribeira: “já houve ogajes e que eu tive de parar, fechar os olhos e ficar ali apenas a sentir. Acreditava que a experiência seria boa, mas ao fazê-la, ao sentir os sons e os aromas da nossa floresta, há uma troca de energias entre o homem e a natureza à qual aconselho as pessoas a experimentarem”.
Paula Abreu
setembro 06, 2007
setembro 05, 2007
NetMadeira disponibiliza novas imagens
Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira
Portal www.netmadeira.com tem a partir de hoje mais quatro 'webcams' em diferentes pontos da ilha
A partir de hoje o portal www.netmadeira.com disponibiliza mais quatro 'webcams'. Lido, Ponta Gorda, Santana e Faial são os locais que a partir de agora passam a ter imagens disponíveis neste 'site'. Deste modo a NetMadeira aumenta de 14 para 18 o número de webcams em toda a Região para apresentar imagens - fotografias actualizadas de 10 em 10 minutos - de 18 zonas diferentes da Madeira e Porto Santo. Mas as novidades não ficam por aqui. Além deste aumento do número de webcams, agora é possível visualizar as imagens em formato superior e ainda mudar para a imagem seguinte ou anterior mais rapidamente do que acontecia anteriormente.
Agora a totalidade destas imagens de diferentes pontos da Região está disponível para todos os utilizadores do portal, e não apenas para os clientes da NetMadeira.
Assim, a partir de hoje é possível ver imagens praticamente em tempo real dos seguintes locais: Calheta, Praia da Calheta, Parque Temático de Santana, Santana, Faial, Encumeada, Pico do Arieiro, Machico, Porto da Cruz, Ponta do Sol, Porto Moniz, Porto Santo, Ribeira Brava, Santo da Serra, São Vicente, Lido, Pontinha e Ponta Gorda.
Nesta imagem, Porto Santo, por volta das 17h00:
setembro 04, 2007
agosto 02, 2007
Do alto do teleférico às funduras das Babosas
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
Esta semana a “Olhar” propõe-lhe uma subida até às zonas altas do Funchal, mais concretamente, até o Monte para trilhar a Levada dos Tornos, partindo do Largo das Babosas até chegar ao Curral dos Romeiros. O percurso é bonito e vale a pena ser feito, é pouco mais que uma hora a andar. A primeira parte deste troço custa um pouco mais porque obriga a uma subida que, a andar devagar, demora cerca de 20 minutos. Depois, é sempre a caminhar junto à levada, lado a lado com a profundeza da Ribeira de João Gomes, o que dá uma certa adrenalina. Por isso aconselha-se a quem tenha vertigens, que se esqueça isso, senão fica a meio caminho. O verde da laurissilva e o silêncio circundantes compensam o esforço…

O percurso desta semana levou-nos até ao Monte. Aceitamos a sugestão para conhecer, de perto, parte da Levada dos Tornos entre o Largo das Babosas e o Curral dos Romeiros. É pouco mais de uma hora a andar, com tempo suficiente para apreciar a paisagem, observar em pormenor a vegetação e tirar algumas fotos.
A entrada faz-se junto ao Largo das Babosas, entre a igreja e o café. Para quem não sabe, fica uns metros acima do ponto de paragem do teleférico que vem do Funchal. No local, as placas em madeira indicam a direcção a seguir: Levada dos Tornos, Levada do Bom Sucesso e Curral dos Romeiros.
O caminho está calcetado. Para ajudar na descida, existe uma escadaria em pedra, a meio do caminho. Enquanto algumas pessoas aproveitavam o sol da manhã, bem morno e agradável, um casal de turistas, bem jovem, resolveu conhecer um pouco o trilho que se apresentava em frente.
Este percurso é ladeado por coroas de Henrique e muita verdura. Ao fundo vê-se parte da cidade do Funchal, nomeadamente, a altíssima ponte sobre a Ribeira de João Gomes onde vai desaguar a água que, mais adiante, encontramos a escorrer pelo fundo vale com o mesmo nome. O caminho está apetrechado por alguns candeeiros que ajudam se a caminhada for nocturna. Ao fundo vêem-se inúmeros pinheiros espalhados por toda a encosta.
Pouco depois deixámos o caminho bem tratado para ingressarmos no trilho mais antigo, em terra batida, por entre raízes de árvores e algumas pedras. Esta é a parte do percurso que custa um pouco mais porque a subida é mais íngreme e o caminho faz-se por entre muitas curvas. Para além de exigir mais das pernas, obriga a um maior controlo da respiração porque, como se diz, “puxa pela caixa”. Apesar do sol não ser, ainda, muito forte pela manhã, o certo é que esta subida íngreme fez mesmo aquecer.
Alguns cactos e heras encontram-se dependurados das paredes rochosas, por entre alguns muros de pedra, construídos em tempo pelos homens para suster as terras e aproveitá-las para o cultivo.
Durante cerca de 20 minutos, é isto que o caminho nos oferece. Deixa-se de ver qualquer vestígio da presença humana, apenas muito verde. Pelo chão vêem-se alguns troncos que, pelo aspecto, bem aproveitados seriam para queimar na lareira, nas noites de inverno.
Vislumbram-se, também, algumas acácias enquanto as tutinegras esvoaçavam e nos adoçavam a caminhada com o seu chilrear. A isto juntou-se o barulho da água que corria no fundo do vale. Mas ver a água correr, pelo menos naquele troço, era impossível porque o fundo do vale está coberto por uma densa vegetação.
Pelo chão vemo-la escorrer, aqui e ali, vinda dos lençóis freáticos que abundam no solo, por entre a faulha que cai dos pinheiros. Deixamos de ver o manto de acácias que deu lugar a um manto de feiteira e de pinheiros. Alguns têm mais de 50 metros, talvez dezenas de anos e estavam carregados de pinhas.
Volvidos cerca de 20 minutos chegámos a uma clareira e encontrámos a Levada dos Tornos, a qual foi recuperada. A água corria no mesmo sentido que a nossa caminhada. No local, de lamentar apenas uma barraca construída de troncos mas cuja cobertura de plástico esvoaçava, de tão rota que está. A dificultar a passagem da água encontram-se pedaços de madeira dentro da levada.
Mesmo assim, é uma óptima zona para uma paragem, ali perto da saída de um túnel, bem antigo, onde a rocha permanece à vista.O túnel não é muito alto mas é comprido, mesmo assim, consegue-se ver a luz ao fundo. Seguimos em frente, com a perspectiva de um dia regressar para atravessá-lo mas com a ajuda de uma lanterna.
A partir daqui o trilho é mais ou menos plano, em terra batida, com imensas curvas. Somos embalados pelo chilrear de outros pássaros que por ali andavam.
Tendo em conta a vegetação rasteira e menos abundante que existe ao longo do vale, podemos ter a noção do quanto é fundo. Devido à altura e ao trilho que, nalguns troços tem pouco mais que o tamanho de um sapato, aconselha-se a um cuidado redobrado por parte de quem tenha vertigens ou problemas nos membros inferiores. A ajudar, nalgumas zonas foi colocada uma vedação que não seria nada mau se fosse extensível a outros espaços desta levada.
Existe uma queda de água a abrilhantar o caminho e foi construída uma pequena ponte para que esta possa escorrer para a Ribeira de João Gomes enquanto a restante parte segue na levada. A água é bem fresca.
Atravessámos o pequeno túnel. Encontrámos alguns loureiros, urzes e outras plantas da laurissilva. Um pouco mais adiante, a água escorria de dentro das paredes de terra e um pequeno “chuveiro” dava um ar de sua graça, mais parecia uma morna manhã de Outono, com chuva miudinha a cair.
Nalguns pontos encontrámos algumas sarralhas, que serviam para deitar ao gado e florículos bem como as infestantes bananiches que proliferam por entre o silvado. Nesta fase vislumbrámos o caminho já percorrido, do outro lado da encosta e começámos a avistar, novamente, a ponte da Ribeira de João Gomes, parte da cidade e o porto. Por entre a água que corria ouvimos o zunido dos carros a passarem na via-rápida.
Aqui o trilho estreita, novamente. Passámos por baixo de um “toldo” de verdura, quase frente a frente com um carvalho gigante. Avistámos a primeira casa, ali bem perto, era sinal que estávamos quase a chegar à estrada.
O casario começou, depois, a alargar-se perante os nossos olhos e alguns poios verdejantes, que mais pareciam pequenos campos de golfe.
Deixámos a levada para atrás, entrámos num caminho em cimento que dá acesso às casas. Uma grande nogueira fez-nos sombra durante uns segundos. Descemos junto a um pequeno “rego” onde a água corria bem fresca. Uma placa em madeira indica o percurso que acabámos de fazer, Levada dos Tornos, mais abaixo outra indica Levada do Bom Sucesso — Monte.
Passámos as casas e por um fontanário onde a água corre bem fresca onde se podia ler “C.M.F. — 1939”. Um pequeno acesso já em alcatrão leva-nos até à estrada, mais concretamente, ao Largo do Curral dos Romeiros onde termina a carreira número 29 da Horários do Funchal. A vista que temos dali merece bem a caminhada que fizemos, mais parece que estamos a sobrevoar a cidade a baixa altitude.
Élia Freitas
julho 16, 2007
À descoberta do velho moinho da Azenha
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira
Uma das levadas mais antigas da Madeira perto do “coração” do Caniço

O tempo quente e seco que se tem feito sentir nos últimos dias está mesmo propício a uma caminhada. Por isso, aceite a nossa sugestão e dê uma espreitadela a um percurso pedestre que se encontra bem perto do “coração” do Caniço. Trata-se da Levada da Azenha que foi alvo de recuperação no ano passado pela Casa do Povo do Caniço juntamente com a Câmara Municipal de Santa Cruz. O percurso compreende o Caminho Velho da Azenha e o Caminho Velho do Castelo, percorrendo a Levada da Azenha até ao moinho da Vitória. São cerca de 1,3 quilómetros que se fazem em pouco menos de uma hora. Grande parte do troço é plano, apenas na parte final, subimos um pouco a encosta, junto ao velho moinho. Tendo em conta que a vegetação não é muito densa aconselha-se a que os caminhantes levem um chapéu e ponham um protector solar…
A entrada para a Levada da Azenha, perto do centro do Caniço faz-se pela vereda com o mesmo nome. Fica acima da Estrada do Aeroporto (ER 204), de quem vem de Santa Cruz em direcção ao Funchal, um pouco abaixo do restaurante Azenha, junto ao primeiro aglomerado de casas logo a seguir à curva.
Uma placa em madeira indica “Levada da Azenha — Caminho Velho do Castelo — 1,3 Km”. É começar a subir. Seguimos a levada, onde a água corre em sentido contrário à nossa caminhada.
No muro em pedra vislumbra-se um grande manto de vegetação rasteira. À medida que caminhamos encontramos alguns poios ao longo da encosta, a maior parte sustentados por muros de pedra. Alguns estão cultivados com alfaces, feijão verde, maçarocas e tomate. Outros estão abandonados e cheios de erva.
À esquerda encontramos um pequeno aglomerado de casas, com canteiros de flores à porta onde se destacam as coroas de Henrique. À medida que avançamos vemos o centro do Caniço, com a sua imponente torre da igreja. Passamos por uma “latada” de pimpinelas. Aqui o caminho começa a estreitar mas existe uma pequena vedação para evitar que os caminhantes caiam no estreito mas profundo vale.
Chegamos ao antigo moinho da Azenha, do qual apenas restam as paredes laterais. No interior encontram-se alguns vestígios do seu funcionamento, três mós em pedra que serviam para moer os cereais. Onde antigamente abundava muita farinha, agora floresce muita abundância pelo chão.
Nesta zona vislumbramos parte da ponte da saída da via rápida da Camacha que dá acesso às Eiras. Começamos a subir.
Deixamos o caminho da levada, a qual contorna o velho moinho para a encontrarmos, novamente, um pouco mais acima.
Pela encosta encontram-se alguns pinheiros, eucaliptos e “pés” de estrelícia. Ali perto há vestígios de um incêndio que deflagrou por entre os eucaliptos. Alguns, bem altos, mais parecem grandes colunas dos antigos templos romanos, cujos troncos engrossaram devido aos rebentos.
Encontramos neste trilho algumas plantas rasteiras, bem verdes, por entre as grandes pedras desnudadas como sejam abundâncias, acácias e arruda, cujas folhas servem para fazer chá. À medida que subimos vemos um pouco mais do centro do Caniço.
Aqui o caminho estreita, novamente. Mais uma vedação ajuda-nos a caminhar em segurança perto do abismo. Apenas o som da água a correr, dos ramos a partirem-se debaixo das sapatilhas e das rãs, quebram o silêncio reconfortante.
Como não podia deixar de ser, dado que estamos no Caniço encontramos tabaibeiras e figueiras. Mas os cactos estão, ainda, em flor. Após subirmos um pouco, começamos depois a descer em direcção a uma pequena clareira. A vista é bem agradável. A escadaria é em pedra com uma vedação em madeira.
No local, duas placas em madeira nos indicam o trilho a seguir, “Caminho Velho do Castelo — 0,3 Km”, outra indica o caminho que acabamos de fazer, “Levada da Azenha — 1 Km”. Aqui deixamos a levada.
Descemos e atravessamos a ponte em madeira e subimos, novamente. Algumas lagartixas andavam pelo chão, doidas com o calor. Aqui e ali encontra-se uma ou outra casa abandonada no meio dos poios, também, eles abandonados onde abunda muita erva de espiga.
Subimos mais um pouco e chegamos a uma zona mais plana onde encontramos feijão plantado, aboboreiras e ameixieiras. Estávamos perto do fim do percurso traçado para este dia.
Uma placa de madeira, colocada junto a uma estrada secundária, indica “Levada da Azenha” como forma de guiar quem queira fazer o percurso que acabámos de fazer, mas em sentido contrário. Outra placa indica “Caminho Velho do Castelo”, que está mais cima.
Ouvia-se o chilrear dos pássaros, entre os quais, melros pretos e andorinhas e o típico som dos grilos na erva seca por onde esvoaçavam borboletas.
A saída faz-se por um poio coberto de aboboreiras, junto a uma casa. Ao fundo vemos o casario, casas particulares que se misturam com os grandes blocos de apartamentos que hoje fazem parte da paisagem do Caniço. Uma placa indica a direcção para o centro da cidade.
Élia Freitas
maio 21, 2007
Gestão privada dos espaços naturais é opção que agrada a ambientalistas
Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira
Domingos Abreu e Rocha da Silva defendem a estratégia; Raimundo Quintal tem algumas reservas ; Manuel António diz que é cedo para falar.
Jardim Botânico e Reserva do Garajau figuram entre as áreas apresentadas como passíveis de privatizar

Mais desenvolvimento, sustentabilidade, lucro e novas áreas de negócio. Estes são os atractivos que justificam, no entender de Domingos Abreu, a associação de empresas privadas à gestão de espaços naturais protegidos.
A ideia não "choca" o director regional do Ambiente e é do agrado de Rocha da Silva, governante com a tutela das Florestas, mas não deixa por isso de ser, nas palavras de Domingos Abreu, um tema fracturante.
"Quem se dedica à conservação da natureza tem um olhar desconfiado sobre a iniciativa privada", afirma o tutelar da pasta do Ambiente, cuja defesa da privatização é, enfatiza, "uma opinião pessoal".
Resultado da evolução do pensamento conservacionista, a conexão dos projectos de preservação com planos de desenvolvimento direccionados para a melhoria da qualidade de vida das populações que coexistem com os espaços naturais é hoje uma tendência internacional.
"A questão não se reduz à privatização, mas sim à possibilidade de esses espaços poderem gerar riqueza e uma melhor economia", acautela Rocha da Silva.
Na prática, a gestão privada das áreas protegidas representa, para Domingos Abreu, um grande potencial para a utilização sustentável dos recursos naturais, abrindo novos nichos ao investimento económico em sectores importantes para a Região, como é o caso do turismo.
Entre os sectores de negócio passíveis de dinamização, o director regional do Ambiente coloca o pequeno comércio, o alojamento e a oferta gastronómica associada aos valores naturais e culturais, tais como a gastronomia regional.
Domingos Abreu diz ainda que as entidades públicas com responsabilidade na gestão dos espaços naturais protegidos não têm capacidade para dinamizar o investimento, uma que vez a sua natureza está mais vocacionada para a investigação e para a gestão preventiva.
"Neste sentido, seria perfeitamente compatível que a administração pública continuasse a assegurar o seu papel regulamentador e fiscalizador, deixando os privados intervirem nas actividades em termos do investimento", explica.
Ao defender a introdução da gestão privada na gestão das áreas protegidas, Domingos Abreu faz questão de esclarecer que não é apologista de "uma abertura selvagem desses espaços ao público", considerando que a opção implicaria um plano de ordenamento e regras de gestão para obrigar os gestores privados a assegurarem os valores fundamentais da conservação natural.
Contudo, não obstante a cautela do director regional, Manuel António Correia, secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, considera que é cedo para falar no assunto, sobretudo numa altura em que o Governo ainda não tomou posse.
GARAJAU E JARDIM BOTÂNICO PASSÍVEIS DE PRIVATIZAÇÃO
Quando se fala em entregar a gestão de espaços naturais a privados, a Reserva Marítima do Garajau é das primeiras sugestões apontadas por Domingos Abreu.
"Não vejo o que a Reserva perderia na conservação de espécies, e mesmo dos meros, se fosse gerida por um particular ou por um consórcio que envolvesse os agentes económicos que mais exploram o 'cluster' mar e litoral na zona", afirma o director regional do Ambiente.
Embora não assuma tão peremptoriamente a defesa da entrada de particulares na gestão de áreas naturais, Raimundo Quintal "não via com maus olhos uma gestão privada do Jardim Botânico da Madeira", desde que "os concursos fossem muito bem blindados, de modo a não permitir que a gestão ponha em risco o património natural e cultural desses espaços".
O geógrafo remete as suas reservas para a capacidade dos privados em cumprirem com os propósitos de conservação de natureza, quando o seu objectivo último é o lucro.
A título de exemplo, Raimundo Quintal indica os casos de espaços não protegidos - entre eles, a Quinta Jardins do Imperador - entregues a privados que, com o passar do tempo, se demitiram das suas responsabilidades na área da preservação das áreas concessionadas.
Acesso restrito ao ambiente serviu "bandeiras pessoais"
Ao lado de Domingos Abreu no que toca à defesa da introdução de empresas privadas na gestão de espaços naturais protegidos, Rocha da Silva acredita que a responsabilização dos particulares poderá constituir uma forma de canalizar meios para a conservação, proporcionando os meios de preservação e envolvendo o cidadão no processo.
"Antes, o homem era apresentado como um inimigo e só os funcionários e as pessoas ligadas à tutela podiam frequentar essas áreas protegidas, o que acabava por ser um privilégio", constata o director regional das Florestas.
Rocha da Silva vai mais longe e afirma mesmo que as restrições às áreas protegidas foram uma estratégia cultivada durante algum tempo na Madeira, "quanto mais não fosse como bandeira de protagonismos pessoais". "Houve pessoas que se transformaram em heróis da preservação por causa desta moda, o que até teve os seus benefícios para a conservação ao nível da sensibilização", conclui o governante com a tutela das Florestas.
Não à cobrança de taxas
A ideia de cobrar taxas de acesso às áreas protegidas com o propósito de a conservação da natureza gerar receitas próprias surgiu, no início deste mês, pela boca do secretário de Estado do Ambiente.
Durante um debate de urgência na Assembleia da República convocado pelo partido ecologista 'Os Verdes', Humberto Rosa sugeriu a criação de receitas através da cobrança de taxas de estacionamento, visita ou atravessamento de áreas protegidas, o que classificou como "um pequeno contributo dos visitantes para ajudar a gerir a sua presença" nestes locais ou por pequenas concessões.
Na Região, a proposta não é vista com 'bons olhos' pelos especialistas ligados ao sector ambiental.
Para Domingos Abreu, director regional do Ambiente, a medida só seria viável mediante a oferta de um serviço, podendo mesmo ser considerada como "um espécie de penalização para quem aprecia a natureza".
Já o director regional das Florestas entende que a cobrança de taxas nem sempre equivale a lucro. "Muitas vezes, as estruturas necessárias montar para a cobrança são elas próprias os sorvedouros das taxas", alerta.
A proposta não desagrada a Raimundo Quintal, desde que as receitas sejam canalizadas para a preservação do espaço em causa. O geógrafo alerta para os perigos desta visão economicista e diz que, antes de mais, é preciso definir a carga de pessoas que cada um dos espaços pode receber.
"Não se pode arranjar taxas a torto e a direito, só porque o Estado se quer demitir das suas responsabilidades", afirma Raimundo Quintal.
Patrícia Gaspar
fevereiro 09, 2007
LEVADA DO FURADO

RIBEIRO FRIO / PORTELA
fevereiro 07, 2007
Levadas - Mais percursos seguros só com parcerias
Com a devida vénia ao Jornal da Madeira

Rocha da Silva recusa taxas ecológicas
JORNAL da MADEIRA — Em termos muito práticos, os percursos pedestres florestais são ou não seguros?
Rocha da Silva — Depende da perspectiva, mas, em termos gerais, devo dizer que o apelativo dos percursos em montanha, para além da paisagem é o risco que está sempre inerente a eles próprios. É impossível, em qualquer parte do mundo visitar uma área de montanha em que não estejamos perante as alturas. E esse facto, por si só, é um factor de risco.
Percursos seguros
JM — Mas, há percursos seguros? Que qualquer pessoa de idade ou uma criança possa percorrer?
R. S. — A Região tem feito uma aposta nalguns percursos e eu lembro aqui que, inclusive, já criámos percursos para caminhantes com deficiência visual, bem como tempos providenciado, no âmbito do projecto "Tourmac", uma espécie de cadeira de rodas, que é a "joalette", que permite, com a colaboração de pelo menos duas pessoas, levar um deficiente motor a visitar aqueles locais.
Mas, tudo isto tem de ser feito com "peso, conta e medida". É óbvio que há espaço para que se possa melhorar alguns percursos, para possibilitar a pessoas menos capacitadas o contacto directo com a Natureza, mas também não podemos partir para o oposto: "urbanizar" a montanha, abrindo-a a toda a gente.
JM — Ou seja, não vamos ter "pavimentações" de percursos ou outras beneficiações do género…
R. S. — Não vamos ter coisas dessas, nem vai ser seguida qualquer política de massificação no meio natural, nem sequer de guardas-florestais lá colocados!
Não são percursos citadinos! O objectivo aqui é criar algum espaço para pessoas menos dotadas, menos capacitadas fisicamente. Agora, temos de manter a integridade do meio, porque esse é que o grande apelativo das nossas montanhas.
Há uma selecção de 18 percursos. Não significa que estes 18 não venham a ser complementados por outros mais, que nós achemos pertinentes. E quando digo nós, não estou a referir-me apenas ao Governo, mas também às Juntas de Freguesia, Casas do Povo, promotores turísticos, associações de desenvolvimento, etc. Desta parceria conjunta até podem surgir ideias sobre outros percursos, mas, neste momento, há 18 percursos escolhidos, onde a Região assume que vão ser intervencionados, de maneira a garantir um mínimo de condições de segurança. O resto da montanha é para se manter tal e qual está.
E quando digo um mínimo de segurança é porque nesta matéria quem percorre os percursos tem uma palavra a dizer. A segurança dos utilizadores depende muito das suas atitudes. Normalmente, penalizamos, por uma questão política até, a Administração Pública, mas esquecemos que a esmagadora maioria dos acidentes ocorridos verifica-se por atitudes pessoais.
Ou seja, o género do caminhante que para tirar uma fotografia tem de subir a uma rocha, do género daquele que viu uma planta na beira de uma falésia e quer colhê-la. E ainda há casos, alguns até noticiados na Comunicação Social — estou-me a lembrar de um senhor francês que foi encontrado ao fim de 13 dias no Curral das Freiras, com ele a assumir que quis andar pelas montanhas sem ser pelos trilhos e a andar a escalar as rochas e, no final, se ele não fosse encontrado estávamos aqui a lamentar mais uma morte — de pessoas que simplesmente se divertem andando por aí sem rumo, a desafiar o perigo.
JM — Não há uma forma de avisar essas pessoas para os perigos que correm?
R. S. — Em articulação com o Turismo, com os hotéis, há um conjunto de indicações que nós deixamos a quem nos visita, ou seja como contactar com serviços de apoio, de socorro, as precauções que devem ter, etc. Isto para além de alguns conselhos, como, por exemplo, a efectuarem os percursos começando pela manhã e não no final do dia, o vestuário e calçado a levar, etc. A partir daqui, penso que deve haver alguma liberdade do visitante.
Levada dos Piornais
JM — Também há quem defenda que essas pessoas só deveriam fazer os percursos quando acompanhadas por guias devidamente habilitados?
R. S. — A nossa sociedade é, às vezes, um pouco contraditória. Por um lado, reclama-se mais liberdades individuais, por outro lado há tendência para se controlar o que se faz, querer-se cada vez mais regras. Cada um é livre de opinar. Na minha opinião a natureza deve continuar livre.
JM — Nos percursos recomendados não está a levada dos Piornais? Porquê?
R. S. — A levada dos Piornais é uma levada quase toda ela feita em meio urbano. Na sua essência é um acesso municipal. Há diversas residências ao longo da mesma. Por outro lado, a parte que sai fora daquele meio tem aspectos de alguma perigosidade.
Quando escolhemos os 18 percursos, houve um conjunto de factores que contribuíram para a sua identificação. Primeiro, houve um trabalho de auscultação de quem trabalha nessa área. Tivemos um trabalho conjunto com a Direcção Regional do Turismo, no sentido de identificar as zonas com maior carga. Depois de identificadas essas zonas, houve, naturalmente, uma análise aos percursos, para se analisar da possibilidade, ou não, de implementar medidas de segurança. Para além disso, também ponderamos os custos das operações.
Por exemplo, dou-lhe o exemplo de uma vereda muito concorrida, que é a que liga Machico ao Porto da Cruz, mas que nós, quando estivemos a ponderar os diversos factores, chegámos à conclusão que, por muitas intervenções que fizéssemos nela, nunca poderíamos dizer que a mesma era completamente segura, porque atravessa uma zona de falésia, que podemos arranjar hoje e que, amanhã, estaremos outra vez lá a arranjá-la. Com a particularidade de não sabermos se, neste intervalo, não vai passar lá alguém e não vá levar com uma pedra em cima.
Tivemos, portanto, de ter um critério, que foi o de criarmos uma rede de percursos em que a Região pode garantir que, efectivamente, os que a compõem se podem fazer em segurança.
Porta aberta
JM — Falou há pouco em complementar os 18 percursos com alguns mais. Quantos?
R. S. — A manutenção de um percurso, seja ele qual for, não é apenas intervencionar num determinado momento. Tem custos tremendos a sua manutenção. Podemos nos agarrar aos custos, para pensarmos em taxas, etc. Mas, não sei, neste momento, em quantos mais percursos poderemos pensar.
Se houver uma entidade que se responsabilize por essa manutenção e após uma comissão, que existe no âmbito do diploma que escolheu esses 18 percursos, definir que tipo de intervenção e grau de intervenção a fazer nesse percurso, essa mesma entidade assumi-la, esse percurso poderá ser integrado nessa rede de 18 percursos.
Isto deixa a porta aberta a todo o género de participações, desde autarquias a operadores turísticos. É uma coisa que está dependente da participação das parcerias criadas.
Investimento para continuar
JM — Concordaria com a possibilidade de se criar uma taxa para ajudar a custear essas manutenções?
R. S. — A fase seguinte a este esforço na recuperação dos percursos, obviamente que aponta para a sua continuidade.
Não podemos estar a investir agora e depois, daqui a alguns anos, estarmos a dizer que está tudo na mesma. Isso significaria que se perdeu o investimento que estamos agora a realizar.
Numa perspectiva de rentabilização de um sector (os passeios a pé) que anima o mercado turístico, teremos de pensar numa fase de excelência, ou seja de percursos ainda melho preparados do que agora. E temos de começar muito bem, a pensar no que temos para oferecer.
Mas, na minha formação pessoal, se quando se fala de uma taxa se está na realidade a falar de uma portagem, ou seja a autorização, mediante pagamento, para alguém fazer o percurso, eu discordo.
Acho que não é por aí que devemos ir. Mas, criar centros de acompanhamento dos visitantes, criar serviços de qualidade aos visitantes e apostar no "merchandising", que até poderão levar a criar postos de trabalho (sobretudo ao nível de guias) e que o visitante pague por todo este serviço, já seria uma outra questão. Aí, eu estaria de acordo.
Estaríamos a diversificar a oferta, a criar postos de trabalho e complementos de remuneração e, paralelamente, a contribuir para a manutenção dos passeios pedestres.
Aliás, há recomendações da ONU que apontam para que se deve maximizar as oportunidades que as montanhas gerem, que não se deve cobrar os acessos à montanha mas que se deve permitir criar oportunidades de negócio com essa mesma montanha.
Miguel Angelo
fevereiro 02, 2007
FOGUETES

FOGUETES (KNIPHOFIA UVARIA)
fevereiro 01, 2007
janeiro 30, 2007
PERSPECTIVA MARÍTIMA

Ao pé do Clube Naval
novembro 22, 2006
Floresta Laurissilva progride e Freira da Madeira extingue-se
Alterações climáticas poderão ser positivas para a floresta Laurissilva mas fatais para espécies como a Freira da Madeira
Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

O aumento progressivo da temperatura média anual - os cientistas situam-na entre os 1,4 e os 3,7 graus centígrados até ao final do século - "terá um impacte negativo nos habitats de altitude", prevendo-se uma "tendência para a redução da sua implantação às zonas mais elevadas" e "num dos cenários para o seu desaparecimento no final do século".
"Esta redução/desaparecimento poderá levar à extinção de espécies de flora e de fauna associadas, é o caso emblemático da Freira da Madeira", avisa o estudo que visou determinar a sensibilidade do arquipélago da Madeira às Alterações Globais do Clima, no âmbito do CLIMAAT II, iniciativa científica financiada pelo programa comunitária INTERREG III-B.
"Contudo, surge por reflexo um impacto positivo no habitat da Laurissilva: as associações vegetais que o compõem terão tendência a estabelecer-se nas áreas anteriormente ocupadas com vegetação de altitude", uma "alternância vegetativa" que "será feita muito gradualmente", lê-se mais adiante no mesmo estudo, na elaboração do qual participaram cientistas de várias instituições, sob coordenação do Instituto de Ciências Aplicadas e Tecnologia da Faculdade de Ciências de Lisboa (ICAT).
Conhecer o máximo possível acerca da susceptibilidade do arquipélago da Madeira às alterações climáticas que se perspectivam até ao fim deste século, em resultado do aumento das emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera, foi o propósito que orientou a Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais, através da Direcção Regional do Ambiente, ao encomendar este estudo, que não deixou de ter em conta que as "ilhas são mais vulneráveis às alterações climáticas que as áreas continentais", e os "verdadeiros santuários" que possuem a nível de biodiversidade, "fruto do isolamento a que estiveram votadas desde sempre" e que "favoreceu a evolução de plantas e animais únicos nas suas características e na sua fragilidade dando a origem a endemismos", podem vir a ser afectados com a mudança de clima.
E, na ilha da Madeira, de acordo com a investigação científica, "as respostas mais visíveis dos sistemas biológicos às alterações climáticas traduzir-se-ão sobretudo em deslocação em altitude e alterações às comunidades, com substituição de umas espécies por outras".
Os cenários estudados pela equipa liderada pelo investigador português Filipe Duarte Santos antevêem "uma provável diminuição da área actualmente ocupada com vegetação típica de altitude (Maciço Central-Oriental), com tendência para o desaparecimento da série de vegetação rupícola de altitude que será potencialmente substituída pela série de vegetação da Laurissilva temperada do til".
Em relação à Laurissilva, "apesar de também sofrer aumentos de temperaturas para além dos limites das amplitudes térmicas habituais, não deverá sofrer grandes diminuições de área ocupada, principalmente por não se prever uma diminuição da humidade relativa, variável climática de grande importância para este tipo de vegetação", conclui o estudo.
Novas espécies
Já se constatam alguns indícios de possíveis efeitos das alterações climáticas nos ecossistemas do arquipélago da Madeira, nomeadamente na área marítima. Recentemente foi registado pela primeira vez o aparecimento de duas novas espécies de crustáceos decápodes: um caranguejo, Platypodiella picta e um camarão, gnathophyllum americanum, observa o estudo, lembrando que "em ambos os casos, com estes aparecimentos, foi registado um novo limite Norte no Oceano Atlântico Oriental para a distribuição destas espécies".
Também no que toca aos mamíferos marinhos, é do conhecimento dos autores que têm sido "avistadas duas novas espécies de baleia para a área da Madeira, B. borealis e B. edeni, bem como um aumento do número de baleias que utilizam estas águas, podendo estar a começar a utilizá-las não só como rota migratória mas também como área de reprodução e criação" nas águas madeirenses.
Convém ainda recordar que uma investigação promovida pelo Centro de Ciências do Mar do Algarve (CCMAR), dada a conhecer pelo DIÁRIO em Maio último, culminou com a descoberta de oito novas espécies de gastrópodes, na Madeira. Conduzido pelo investigador Peter Wirtz, ex-docente da UMa, este estudo decorreu ao longo do ano 2005 e, na opinião deste investigador, a presença destes animais está relacionada com o aquecimento global.
Uma das espécies encontradas - um caracol de grande dimensão - dá pelo nome de "Architectonica nobilis" e tem sido avistado na zona do Caniçal.
Raul Caires
novembro 03, 2006
novembro 02, 2006
outubro 17, 2006
Parque Temático reformula pavilhão
A comemorar dois anos, o espaço localizado em Santana aposta assim na gestão de conteúdos
Com a devida vénia ao Diário de Notícias da Madeira

O Parque Temático da Madeira, que comemorou no passado fim-de-semana dois anos de actividade, vai reformular em breve um dos quatro pavilhões que possui, mais precisamente o Futuro da Terra, depois de ter no ano passado introduzido alterações no Viagem Fantástica.
O Futuro da Terra é um espaço fechado atravessado por uma passerele audiovisual, onde o visitante assiste a um espectáculo multimédia projectado para as quatro paredes sobre o planeta, com o objectivo de sensibilizar para a necessidade de defender e preservar o ambiente e os recursos naturais. É também um espaço de consciencialização e de esperança. De acordo com Tiago Freitas, a ideia não é substituir, mas acrescentar conteúdos, mantendo o Parque como um espaço de interesse e aprendizagem para toda a família.
Além destes dois, o Parque possui outros dois pavilhões: Um Mundo de Ilhas, as Ilhas no Mundo e Descoberta das Ilhas, a par de jardins e outros pontos de interesse que justificam uma visita de um dia.
Desde que abriu, já passaram pelos seus sete hectares cerca de 180 mil pessoas. O objectivo é atingir as 200 mil até ao final do ano, disse o director.
A direcção do espaço de diversão em Santana organizou um programa especial para assinalar o segundo aniversário, onde não faltaram o bolo e o fogo-de-artifício, para além da música, com a participação de grupos de folclore, bandas filarmónicas, animação cultural, palhaços, pinta-faces, saltimbancos, malabaristas, personagens gigantes e lançadores de fogo. No sábado actuou o grupo Lírios do Norte. No domingo foi a vez do Grupo de Folclore de Santana e da Banda Filarmónica do Faial.
A par das actuações, os visitantes tiveram a possibilidade de aceitar o desafio e partir à descoberta do artesanato em diferentes ateliers montados para este fim. É que o Parque Temático da Madeira oferece, com a ajuda de um grupo de artesãos, a possibilidade de pôr mãos à obra e criar pequenas peças de artesanato, desde a pichelaria ao bordado, passando pela olaria, tecelagem, pelos bonecos de palha de milho e pelos tradicionais vimes. No final, pode ainda levar a peça produzida como recordação.
Os dois anos foram assinalados com um bolo gigante especial que flutuava no lago e com fogo-de-artifício, logo após o cantar de parabéns, nos dois dias. Todos os visitantes foram convidados a comemorar com bolo e champanhe a passagem de mais um ano de actividade.
O Parque Temático da Madeira funciona entre as 10h00 e as 19h00. Tem multibanco e parque de estacionamento gratuito.
Paula Henriques
















































































